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E constrangeram um certo Simão, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a que levasse a cruz. (Mc 15.21)

Os Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas, conhecido como Sinóticos, falam de dois Simões que tiveram contato com Jesus Cristo. Eles falam de Simão Pedro, a quem Jesus chamou para ser seu discípulo, e fala de Simão de Cirene, ou Simão o Cireneu, o qual fora forçado pelos soldados romanos a carregar à cruz de Cristo. Simão Pedro era Judeu e pescador, Simão Cireneu era natural de Cirene, na África. Ele era um homem negro, o qual é chamado de Simão Níger (At 13.1), literalmente, Simão, o Negro.
As semelhanças entre os dois Simões, estão somente em seus nomes: Pois um sendo Judeu, possuía a pele mais clara, o outro sendo natural da África, possuía a tez negra. Um foi chamado por Jesus, para segui-lo, o outro foi forçado pelos romanos a andar sob a cruz de Cristo. Um foi encontrado a beira do mar da Galiléia, quando Jesus iniciava seu ministério, o outro se encontrou com o Mestre na via dolorosa, rumo a saída de Jerusalém, quando Jesus estava chegando ao final de seu ministério terreno. Ao encontrar-se com Simão, o negro, Jesus de Nazaré, já havia sido supliciado pelos soldados romanos, estava muito cansado e ensangüentado sob o peso da rude cruz. Os soldados que eram peritos em crucificação, certamente se deram conta que, se acaso outro não levasse a cruz, o condenado, não chegaria vivo ao alto do gólgota para cumprir sua sentença: morte de cruz.

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“Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniqüidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”. (Ez.18, 19,20)

“A população negra está na margem da riqueza produzida pela sociedade brasileira, situação reforçada pelas igrejas na cumplicidade e omissão perante a escravidão e anos de racismo no Brasil”, destaca o texto. Vai chegar o momento em que as igrejas históricas vão ter que, necessariamente, tratar desse tema. “É um processo, e o movimento negro vai exigir um pedido de desculpas”[1]

Essa reflexão nasce do manifesto acima, que foi enviado por oito entidades negras evangélicas por ocasião de 13 de maio de 08, a algumas Igrejas Protestantes Históricas, quero não contestar a participação das Igrejas no escravismo negro, mas sim, enquanto negro e protestante, ponderar sobre o: “exigir um pedido de desculpas”, que interpreto como sendo de perdão, pois omissão é pecado, Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando (Tg4.17). E, enquanto cristão creio que por pecado se pede perdão, e não desculpas.

Sem dúvida a escravidão, foi um grande mal do passado, cujas conseqüências dolorosas, permanecem na atualidade, e sem dúvida a Igreja Cristã, tanto Católica como Protestante, tiveram e tem responsabilidade nisso. E difícil julgar toda a História, é mais fácil analisá-la, tentando compreende-la, aprendendo com o passado, para não reproduzir os erros no futuro.

Como negro, sinto na pele, as conseqüências da escravidão, mas, quero falar sobre a atualidade, e as ações dos Movimentos Negros Evangélicos, no tocante a “exigir” dos demais Protestantes Históricos, um pedido de “desculpas”, que interpreto aqui como de perdão. Não almejo aqui, contrariar a necessidade de reparação por parte das demais Igrejas Protestantes, em relação ao povo negro. Questiono, porém, a expressão “exigir”, de alguns grupos evangélicos negros, pois penso que se o manifesto acima citado, obtiver êxito, esse êxito por ser fruto de uma exigência por parte de meus pares negros e evangélicos, tal pedido feito, não terá profundidade. Penso que os caminhos para a superação dos racismos e preconceitos contra quaisquer pessoas sejam: negras, brancas ou indígenas, passam pelo diálogo. Teorizo que negros e brancos devem juntos por se a “caminho”, creio que nesse caminhar de fé e compreensão, com humildade de ambas as partes, as diferenças, étnicas, culturais e sociais, serão compreendidas gerando a aceitação e o respeito mútuo.

Evoco aqui, o que dizia Wesley, revivendo Agostinho: “No essencial unidade, no não essencial liberdade e em tudo o amor”. No essencial, negros e brancos devem se somar em torno daquilo que os unem: a fé em um Deus que se fez carne, independente da cor da tez adotada pelo Verbo Divino, quando se manifestou na pessoa de Jesus de Nazaré. O não essencial é exatamente não dividir-se, em um grupo que adora a Jesus Cristo, por julgar que ele era negro. E outro que o adora, pois crê que ele possuía traços europeus. Isso é irrelevante, pois penso que, Jesus de Nazaré, merece adoração não por ter nascido judeu, etíope ou alemão, mas sim por que nele Deus se esvaziou, abrindo mão de todo o esplendor de sua gloria e divindade, se tornado humano. Ao fazer isso o Verbo de Deus, exaltou a todos os gêneros e etnias que compõem a única raça humana criada por Deus.

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