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“Deus faz que o solitário more em família;” (Sal 68.6a)

Muitos dos meus artigos e até mesmo sermões, são frutos de conversas que tenho com amigos. Penso que, amigos são pessoas que no cotidiano sempre nos acrescentam algo. Tenho um amigo, o qual é para mim mais que um amigo, é um verdadeiro irmão. Houve um tempo no qual eu e esse meu amigo de fé e irmão camarada, caminhávamos pela manha. Embora naquele período, mesmo gostando de teologia, não eramos teólogos de fato, contudo, a partir das 6 horas da manha, eu e meu amigo saíamos para aquilo que poderíamos chamar de: “caminhadas teológicas marginais”.
Hodiernamente na Faculdade de Teologia, tenho aprendido que teólogos são aqueles que se debruçam sobre questões relacionadas com a fé, e como por meio de sua fé, pessoas humanas se relacionam com Deus, Pessoa Divina que se revela. Diante de tal definição concluo então que, eu e meu amigo, éramos e ainda somos teólogos marginais. Eramos, pois discutíamos sobre questões relativas à fé, porém não de forma sistematizada, faltando formação acadêmica. Somos, pois para mim ainda resta um ano para a conclusão do Curso Teológico Pastoral, e o Sidney, embora já sentindo a chamada vocacional para o ministério, ainda se prepara para iniciar seus estudos na área teológica.

Como teólogos marginais, em nossas caminhadas matinais, nós dialogávamos sobre diversas coisas relativas à fé, a Igreja e o mundo. Coisas que nos edificavam mutuamente. Nossos assuntos eram ricamente ecléticos, pois falávamos sobre tudo: Cristianismo, Judaísmo, Budismo, Islamismo e outras religiões. Sobre músicas, poesias e canções.

No campo da fé Cristã, comentávamos sobre os gigantes da antiguidade: <i>Santo Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, João Wesley</i>. Discutíamos sobre o legado destes homens, verdadeiros faróis, que acesos no passado, ainda no presente refletem as luzes que receberam do Senhor, podendo guiar a Igreja Reformada, mas sempre reformanda.

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“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus […] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João I. 1 e 14)

Apesar do duplo milênio do cristianismo e dos grandes concílios da Igreja, que trataram das questões cristológicas, existem ainda muitas dúvidas, contestações e mesmo ferrenhas oposições à pessoa de Jesus e sua condição cristológica. Para nós, cristãos, Jesus é crido e pregado como o Cristo Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, manifesto em pessoa humana. Grupos dentro e fora da Igreja buscam encontrar hoje não o Cristo preexistente, Deus de Deus, proclamado pelas Escrituras e acessível somente pela fé e revelação do Espírito, mas sim o Jesus histórico, aquele que viveu em determinada época e local geográfico. Penso que além do exercício do direito de pensar diferente, que confere a quaisquer pessoas a liberdade de serem atéias professas, ou ainda agnósticas em relação a alguns pontos da fé cristã, tais contestações se devem à maneira como Jesus foi e ainda é apresentado ao mundo. Creio serem de suma importância as afirmações cristológicas de nossos credos, aplicadas à natureza de Jesus e de sua cristologia.

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