Posts com Tag ‘cristão’

Penso que a força de um povo para continuar lutando contra a dominação, o preconceito e a discriminação étnica, está ligada a sua fé, por mais que ao outro ela pareça estranha. A fé é elemento que concede ao individuo, e a sociedade, forças subjetivas, para ter e alcançar objetivos. A fé no etéreo, no transcendente, possibilita, ao homem vencer as vicissitudes do mundo material. Quando os homens perdem a fé, é por que perderam a capacidade de trazer a sua memória, razões que lhes tragam esperanças. E estas razões, muitas das vezes estão na crença de que para além deles e seus duros cotidianos, existem um lugar e alguém maior. A este lugar, alguns povos chamam: “céu”, outros: “seio de Abraão”, outros: “terras sem males”. A este alguém maior, algumas etnias, chamam de Nhandejara, Modimo*, Olorum*, Alá, e outros ainda de Javé.

Pensando isso imaginei a seguinte situação: “Um dia todos os povos do mundo se reuniram para um desafio. Um cristão propôs que, todos os religiosos do mundo, que criam na existência de um deus, se juntassem em uma grande planície e invocassem ao mesmo tempo o nome de sua divindade. O desafio foi aceito, e no dia e hora marcada, em uma grande planície, todas as religiões monoteístas, se reuniram para o grande desafio. Ali estavam além do povo reunido, os sacerdotes de cada religião. O cristão que fez o desafio ditava as regras do jogo. E então gritou: – todos os sacerdotes venham para o centro. Ao que todos obedeceram. O Cristão falou-lhes: – Olhem para aquele grande relógio, daqui a cinco minutos, quando forem seis horas em exato, todos a uma só voz deverão gritar o nome de seu deus. A divindade que aparecer primeiro, será o único e verdadeiro deus. Para sabermos quem de nós estava crendo no deus verdadeiro, aquele que o reconhecer como sendo o deus que em seu coração imaginava, deverá correr para ele, e o abraçar. Todos sonoramente gritaram – amém!

(mais…)

“Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniqüidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”. (Ez.18, 19,20)

“A população negra está na margem da riqueza produzida pela sociedade brasileira, situação reforçada pelas igrejas na cumplicidade e omissão perante a escravidão e anos de racismo no Brasil”, destaca o texto. Vai chegar o momento em que as igrejas históricas vão ter que, necessariamente, tratar desse tema. “É um processo, e o movimento negro vai exigir um pedido de desculpas”[1]

Essa reflexão nasce do manifesto acima, que foi enviado por oito entidades negras evangélicas por ocasião de 13 de maio de 08, a algumas Igrejas Protestantes Históricas, quero não contestar a participação das Igrejas no escravismo negro, mas sim, enquanto negro e protestante, ponderar sobre o: “exigir um pedido de desculpas”, que interpreto como sendo de perdão, pois omissão é pecado, Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando (Tg4.17). E, enquanto cristão creio que por pecado se pede perdão, e não desculpas.

Sem dúvida a escravidão, foi um grande mal do passado, cujas conseqüências dolorosas, permanecem na atualidade, e sem dúvida a Igreja Cristã, tanto Católica como Protestante, tiveram e tem responsabilidade nisso. E difícil julgar toda a História, é mais fácil analisá-la, tentando compreende-la, aprendendo com o passado, para não reproduzir os erros no futuro.

Como negro, sinto na pele, as conseqüências da escravidão, mas, quero falar sobre a atualidade, e as ações dos Movimentos Negros Evangélicos, no tocante a “exigir” dos demais Protestantes Históricos, um pedido de “desculpas”, que interpreto aqui como de perdão. Não almejo aqui, contrariar a necessidade de reparação por parte das demais Igrejas Protestantes, em relação ao povo negro. Questiono, porém, a expressão “exigir”, de alguns grupos evangélicos negros, pois penso que se o manifesto acima citado, obtiver êxito, esse êxito por ser fruto de uma exigência por parte de meus pares negros e evangélicos, tal pedido feito, não terá profundidade. Penso que os caminhos para a superação dos racismos e preconceitos contra quaisquer pessoas sejam: negras, brancas ou indígenas, passam pelo diálogo. Teorizo que negros e brancos devem juntos por se a “caminho”, creio que nesse caminhar de fé e compreensão, com humildade de ambas as partes, as diferenças, étnicas, culturais e sociais, serão compreendidas gerando a aceitação e o respeito mútuo.

Evoco aqui, o que dizia Wesley, revivendo Agostinho: “No essencial unidade, no não essencial liberdade e em tudo o amor”. No essencial, negros e brancos devem se somar em torno daquilo que os unem: a fé em um Deus que se fez carne, independente da cor da tez adotada pelo Verbo Divino, quando se manifestou na pessoa de Jesus de Nazaré. O não essencial é exatamente não dividir-se, em um grupo que adora a Jesus Cristo, por julgar que ele era negro. E outro que o adora, pois crê que ele possuía traços europeus. Isso é irrelevante, pois penso que, Jesus de Nazaré, merece adoração não por ter nascido judeu, etíope ou alemão, mas sim por que nele Deus se esvaziou, abrindo mão de todo o esplendor de sua gloria e divindade, se tornado humano. Ao fazer isso o Verbo de Deus, exaltou a todos os gêneros e etnias que compõem a única raça humana criada por Deus.

(mais…)

Eu por eu mesmo.

Publicado: 21/05/2008 em Poesia
Tags:, , , ,

Você me pergunta: quem eu sou?

Quem eu sou, lhe respondo, em prosa, verso e rima.

Eu sou nascido de Deus.

Mas, sou ser em construção,

Sou ser desejante, imperfeito, a caminho da perfeição.

Sou de Jesus, Jesus é meu, por isto sou Cristão.

A cada erro e acerto aprendo nova lição.

Sou feliz, sou poeta, sou negro, sou profeta,

Amar a Deus, servindo o próximo, tem sido a minha meta.

Aprecio a boa música, amo poesias e canções,

Interesso-me por bons filmes, por livros tenho paixões.

(mais…)