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Minhas razões para criticar a Igreja nacional e a Igreja Metodista. – A propósito de um “Colégio Episcobesta”*.

Essa postagem nasce de muitas discussões no facebook, principalmente uma que você pode acessar aqui e aqui.

Essa postagem nasce de muitas discussões no facebook, é um texto tão longo quanto o meu amor a Igreja de Cristo, e ao Povo Chamado Metodista.
 
Algumas pessoas às vezes me perguntam por qual motivo critico tanto a Igreja, não só outras igrejas, mas também a minha. Sou um presbítero metodista, vou para dezoito anos de convertido, e quatorze de pastorado. Como evangelista assumi meu primeiro desafio missionário com quatro anos de caminhada, Fátima do Sul – MS, onde fiquei onze anos. Tenho uma herança católica romana, tive breve contato com o candomblé, pois minha família, pai, mãe e avós apesar de se dizerem católicos eram sincretistas e cresci com um pé na missa e outro no terreiro. Quando adulto, já casado, influenciado por minha esposa e e sua família eu me aproximei mais da ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana. Me aprofundei na vivência católica, participei da Pastoral Familiar, fui ministro da Eucaristia, pregador da RCC – Renovação Carismática Católica, tive um breve contato com as Comunidades Eclesiais de Bases, fui catequista de adultos. Em 98, em meio a crises matrimoniais e religiosas passei por uma separação de minha família (posteriormente restaurada), me afastei da Igreja Católica, mas depois após um período de depressão vivenciei uma impactante experiência com Deus, em uma “Tarde da Benção”, na Igreja Metodista em Cabeceira Alegre -Dourados – MS.
 
 
 
Meu itinerário dentro da IM, até aqui, foi de professor de adultos na ED, coordenador do Ministério de Oração, evangelista lavrado a facão, pois nunca fiz o curso, depois Missionário Designado, seminarista, pastor, e por fim, presbítero. Sou bacharel em teologia pela FaTeo – São Bernardo – SP, sou pós-graduado em ensino de Filosofia, Sociologia e Religião –UniFil – Centro Universitário Filadélfia – Londrina – PR. Estou pastor em Campo Grande – MS, meu mundo de atuação é amplo, o campo de fato é grande, abrangendo púlpitos (meu e outros), os lares (meu e outros), redes sociais, blogs, as ruas e as salas de aulas da FaThel – Faculdade Theológica, onde leciono. Essa gama de experiência me tornou crítico, todavia, só critico aquilo e aqueles a quem amo, pois me calo diante do que não vejo possibilidade de mudanças para a melhor. O meu silêncio em relação a algo ou alguém nem sempre sinaliza concordância, antes, muitas vezes, denuncia desistência da causa.
 
Conheço parte da realidade da Igreja nacional, não só a Metodista, no que tange a elementos negativos oriundos do meio neopentecostal brasileiro e estrangeiro, os quais com a anuência ou não, nossas, e das nossas autoridades superiores, penetraram na Igreja, e deformam nossa identidade, sou crítico também do Liberalismo teológico, pois como afirma Dennis, um amigo pastor de linha Wesleyana, no tocante a ação de ambos: “O neopentecostalismo infantiliza o evangelho. O liberal o nega. O líder neopentecostal faz comércio e enche a casa. O liberal destrói e esvazia a casa.”
 
Sou crítico sim, às vezes até ferino, mordaz, todavia, sou um crítico esperançoso. Não sou alienado, sou realista e tenho os olhos na realidade que me cerca, e o cenário não é dos melhores, mas minha leitura do Evangelho, o mover do Espírito e a infalível promessa feita pelos Lábios Divinos de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja de Cristo me fazem continuar crendo que a noite escura vai passar, o Sol da Justiça brilhará, e que ao raiar do novo dia nós não mais seremos os mesmos enquanto Metodistas, mas indubitavelmente seremos melhores enquanto cristãos. Ninguém pode matar o que é nascido de Deus, homens deixam a Igreja, a dividem, usam-na em seus projetos de poder, contudo, Cristo ainda está nela, ele não a abandonou, o Espirito ainda a habita, um dia Ele vai subir, mas ela subirá junto. Creio na Santa Igreja de Cristo, tenho a fé apostólica, creio e prego a graça, pois ainda que sejamos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode desdizer a si mesmo.
 
Em relação a minha denominação, vejo dentro dela o conflito entre o velho e o novo, principalmente no tocante a formas de ser igreja, governo… Às vezes vejo se reproduzir na Igreja o mesmo que ocorre no campo da política atual, muitos agem como se o PT tivesse inventado a corrupção, e como se ela só tivesse surgido de treze anos para cá, nessa mesma linha de detonar os outros e preservar os nossos, muitos liberais, progressistas, tradicionais, conservadores, apontam falhas dentro da Instituição com a frase, “nunca antes na história dessa Igreja se viu, isso, aquilo..” Os da Visão, declaram: “nunca antes na história dessa Igreja se viu tanto crescimento..” E no campo das comparações às vésperas de mais um Concílio Geral as discussões rolam nas redes sociais, a politica corre nos bastidores, e entre ataques e defesas, saudosistas clamam pelo retorno ao que chamam de verdadeiro Metodismo, no outro lado, de células em células agigantando o corpo, os carismáticos, hoje maioria, dançam e cantam que o melhor de Deus ainda está por vir. Como observador e também enredado em meio a isso tudo, tristemente, não generalizando, constato que no âmago de tais disputas, tanto na atual, bem como na antiga forma de ser metodista, o que ocorreu e ocorre é declarada briga por poder, e lamentavelmente, sem generalizar, não é poder para poder servir.
 
Há quem reclame de cerceamento da liberdade, ostracismo, impedimento de exercer o pastorado por não estar de acordo com o atual jeito (entenda-se Visão) de ser Igreja Metodista. Creio que de fato isso ocorre, todavia, assim como a corrupção não foi inventada pelo PT, vozes também foram silenciadas no passado e irmãos que tiveram experiências carismáticas foram alvos de zombarias, já se dirigiram a um pastor que hoje é bispo como “pentecostal louco, analfabeto…” Depois de 2006, com a formação de um Colégio Episcopal mais de linha carismática, eram comuns em listas de emails, bate-papo, e etc., por descontentamento com as decisões de Aracruz, irmãos de linha liberal se referirem ao novo Colégio com termos tais como: “Colégio Episcobesta”. Um saudoso bispo foi chamado de nomes que não vou aqui publicar, isso por conta de sua linha pentecostal. Interessante que certos liberais, contrariando minha compreensão do termo, só são liberais com quem pensa igual a eles, se a pessoa diverge, ela é logo chamada de fundamentalista fanática!! Incoerência é um liberal intolerante, mas existe, pois a intolerância é fruto da queda, ( “queda” – isso para quem crê na Bíblia)… Sim, repito! A intolerância passada não justifica a de agora, todavia quero trazer a memória que ela sempre existiu, não há nada de novo agora, e não haverá tudo totalmente novo amanhã, mas creio que nossa crise é dor de parto para o novo, e o meu Deus não promove aborto, portanto, o novo virá, eu creio no nascimento de uma igreja mais forte. Sou como Jó, e na mesma fé que ele, eu olho a história e creio no governo de Deus, e declaro: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.” Jó 42:2.
 
Sou paulinista, e com base na fé de Paulo, o imitador de Cristo, no tocante as heresias neopentecostais e dos liberais, como conservador carismático, eu afirmo: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” 1 Corintios 11.19. Eu sou crente, não me tenham por ingênuo, pois sei o que joelhos dobrados e denúncias proféticas podem fazer.
 
Sou Metodista, apesar dos erros de pessoas que fazem a igreja, e até dos meus, eu amo essa denominação, que para mim é a melhor, pois do contrário não estaria nela. Por ser metodista creio que em qualquer lugar onde Deus levantou o Povo chamado Metodista, continua válida a interpretação/revelação de Wesley, a respeito da razão pela qual Deus nos trouxe a existência: “Para reformar a nação, de maneira particular a Igreja, e espalhar a santidade bíblica sobre a terra.” Em 06 do 08 de 1776 John Wesley declarou:
 
“Não tenho medo de que o povo chamado metodista um dia deixe de existir, tanto na Europa como na América; mas tenho medo de que exista somente como uma seita morta, tendo forma de religião sem o poder”.
 
Minha interpretação da supracitada frase é que o temor de Wesley vai se cumprir quando todos na Igreja pensarem da mesma forma, quando houver uniformidade em tudo, quando não mais pudermos viver, pensar e discutir nossas diferenças então seremos uma seita morta sem o poder, pois somente uma seita não aceita pensamentos divergentes, antes quem nasceu do Alto, que crê na multiforme ação graciosa de DEUS na Igreja, busca dar frutos, vivendo e ensinando que cristianismo prático é ter: “no essencial, unidade; no não essencial, liberdade/flexibilidade; em todas as coisas, o amor.
 
Que o Senhor nos ajude!
 
Reverendo José do Carmo da Silva
 
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*”Colégio Episcobesta” – Termo pejorativo que rolava em listas de discussões, após o Concílio Geral de 2006, em Aracruz – ES. Foi usado por pessoas de linha teológica liberal, que diante das mudanças aprovadas no CG romperam com a IM.

 

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Perguntaram-me o que eu acho de mentoria e cobertura espiritual. Abaixo segue minha resposta.

Inicio dizendo que: 

Sempre tive alguns mentores, ultimamente estou sendo mentorado de uma forma mais “sistemática”, graças a Deus tenho me sentido muito bem. Não coloco como regra, e penso que até seja possível caminhar sozinho, mas com qualidade de aprendizado, conhecimento, apoio, escuta e aconselhamentos vindos de um mentor equilibrado a caminhada se torna mais fácil. Como escreveu Clarice Lispector “Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado, com certeza vai mais longe.” Por afinidade, por observar, julgar necessário, ver base bíblica e histórica no processo, eu escolhi o meu mentor. Fiquei surpreso e feliz, quando outras pessoas, inclusive fora da Igreja Metodista, me escolheram como mentor, hoje sou um mentorado que mentoreia. Como aconteceu comigo, penso que o processo de escolha deve ocorrer naturalmente.

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Todo bom pastor tem a Jesus de Nazaré como referencial. Todo bom pastor que diz estar Nele busca andar como Ele andou. E Jesus “andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38).
 
Todo bom pastor sabe que uma comunidade de fé é construída com amor, lágrimas, renúncia, andar a segunda milha, deixar as noventa e nove no aprisco e sair em busca da que se desgarrou. O amor de Cristo o constrange ao sacrifício pelo rebanho, já o amor ao poder leva o mau pastor a sacrificar o rebanho.
 
Todo bom pastor sabe que devemos muitas vezes ser flexíveis, não somos detentores de um poder monocrático, o rebanho não é nosso, mas sim de Deus.
 

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coisificaÇÃO

“Há situações na vida em que a guinada vem por meio da coisa que muda. Já em outras situações a guinada ocorre por meio da mudança da coisa. O que é a coisa? Que coisa? A coisa pode ser qualquer coisa. Você sabe o que é a coisa que precisa mudar em sua vida. Faz tempo que luta para tal. Ou a coisa muda. Ou você muda da coisa. Trabalhe para realizar a primeira opção, mudar a coisa, em busca de realizá-la faça tudo o que for necessário, ore, chore, adore, planeje, busque, tente outra vez. Mas depois de ter tentado de tudo, se a coisa permanecer a mesma, se a coisa não mudar, então é hora de colocar em prática a segunda alternativa, mude-se da coisa. A ruptura é dolorosa, o partir é sofrível, mas as vezes é necessário, é dos males o menor. Se a coisa permanece apesar de tudo feito, de todos os esforços aplicados, se já não visualiza outra saída, a saída é sair da coisa. Mas faça isso enquanto ainda possuir saúde espiritual, sanidade física e mental que lhe possibilite recomeçar em outro lugar, antes que você tenha se coisificado, pois se isso ocorrer a coisa se tornou você.”

José do Carmo da Silva

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Aos amigos e amigas, ao povo metodista e demais irmãos… quero brevemente aqui falar de algo que ocorre todos os dias em todas denominações cristãs, pessoas que trocam de igrejas. Aqui não me refiro a mudança intradenominacional, mas sim a troca de denominações. Pastor estou me transferindo para outra denominação!! Todo pastor já ouviu tal declaração, já enfrentou tal situação, quem é novo no pastorado que se prepare, pois mais cedo ou mais tarde certamente a enfrentará, com indivíduos ou grupos, e nem sempre será por responsabilidade ou irresponsabilidade nossa.

O que leva uma pessoa a trocar sua comunidade de fé por outra denominação?

Já se vão alguns dias, semanas, pós aprovação no Senado do prosseguimento do processo de impedimento da Presidente Dilma Vana Rousseff, e previsivelmente (infelizmente) diferente do que se alardeav…

Fonte: Cara de palhaço, pinta de palhaço, bravo, bravo!

circo_brasil
Já se vão alguns dias, semanas, pós aprovação no Senado do prosseguimento do processo de impedimento da Presidente Dilma Vana Rousseff, e previsivelmente (infelizmente) diferente do que se alardeava nas redes sociais o dólar não caiu e a bolsa não subiu… Felizmente, também o MST para a guerra civil não partiu, tampouco, a Bolívia, Venezuela e Cuba, o eixo comunista (ou satanista?), não invadiram o Brasil. Leia o resto deste post »