via Eternos aprendizes, sim, eternas crianças na fé, não. Somos  vocacionados a crescer

“Eternos aprendizes, sim, eternas crianças na fé, não. Somos  vocacionados a crescer. “

Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, agora e no Dia eterno! Amém. – 2 Pedro 3:18

Resiliência-EmocionalÉ comum na criação, que as coisas nasçam pequenas, todavia, é anômalo que continuem pequenas. Deus criou todas as coisas para o crescimento, se observarmos a natureza, com o olhar contemplativo e investigativo, vamos concluir que tudo o que foi criado por Deus é chamado a crescer, isso de forma natural. Ser pequeno é uma fase crucial na vida de praticamente todos os seres, contudo, o crescer faz parte da existência plena que Deus planejou para tudo o que criou.

Até os maiores rios do mundo nasceram pequenos, mas foram crescendo, se agigantando, até que se tornaram imensos e por fim se fundem a lagos ou aos lençóis freáticos. Com poucas exceções, o destino da grande maioria dos rios é se fundir com o mar ou tornar-se um com o oceano. Segundo estudiosos, o Rio Okavango é o único do planeta que foge à tal regra. Okavango, deságua no Deserto da Namíbia. “Conhecido como o rio que nunca encontra o mar, o Okavango desaparece no deserto de Kalahari em 15.000 quilômetros quadrados numa confusão de lagos, canais e ilhas a noroeste de Botsuana.”¹

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Por Reverendo José do Carmo da Silva

“Pois ao SENHOR pertence o reino: Deus governa as nações!” – Salmos 22:28

“Não me preocupo com o que pode acontecer daqui a cem anos. Aquele que governava o mundo antes de eu nascer cuidará disso igualmente, quando eu estiver morto. A minha parte é melhorar o momento presente.” John Wesley.

A Palavra de Deus nos traz diversas orientações para a construção de um mundo melhor. Dentre elas as que mais gosto é: “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. – citada por Paulo na carta aos Romanos 12:18, e também esta orientação dada pelo anônimo escritor da carta aos Hebreus capítulo 12.14a: “Segui a paz com todos.” Entendo que a paz é algo que se constrói com enfrentamento, e enfrentamento gera sempre conflitos e até mesmo guerras e divisões. Afirmar que o alcance da paz passa por enfrentamento, conflitos, confrontos, guerras e divisões, pode até parecer paradoxal, mas, a meu ver, não é, pois pensamentos acirradamente opostos não ficam em silêncio por muito tempo, ainda que a parte descontente o abafe, ele está lá, ainda que acima da superfície tudo pareça calmo, abaixo dela há um vulcão prestes a explodir. Penso que  o descontentamento e o desacordo velado, abafado, são como barris de pólvora alojados no armário, os quais inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde explodirão. Sobre divergências e caminhada comum, a Palavra de Deus no capitulo três versículo três, através do Profeta Amós, questiona:

Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?

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“O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.” Levítico 6.13. O auto sacrifício de Cristo faz com que pela graça o coração daquele que nele crê seja transformado em um alt…

Fonte: O que fomos. O que somos. E o que seremos. Orando pelo Concílio Geral Metodista

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“O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.” Levítico 6.13.

O auto sacrifício de Cristo faz com que pela graça o coração daquele que nele crê seja transformado em um altar, onde se cumpre essa declaração de Levítico 6.13: “O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.” Dessa forma, quem de fato teve o coração aquecido pela manifestação do Espirito Santo de Deus, jamais se congelará pelas ações dos homens.

Historicamente somos conhecidos como o Povo do Coração Aquecido. O metodismo surgiu há mais de duzentos e sessenta anos, na Inglaterra do século XVIII, em uma época marcada por vícios, decadência moral e injustiça social, nos mostrando um pouco de tal quadro, Mateo Lilièvre em, “João Wesley, sua vida e obra” nos informa que:

“O vício de embriaguez era notório no meio da classe popular. Meio século depois de ter sido introduzido o gim, os ingleses consumiam mais de 30 milhões de litros por ano. Nos cartazes à entrada das tabernas, as pessoas eram convidadas a entrar e embebedar-se por duas moedas e a beber até cair no chão por quatro; e recebiam gratuitamente a palha para dormirem…”

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Sou assim como muitos brasileiros, uma mistura de negro e indígena, em 2009, para uma monografia do bacharelado em Teologia, segundo uma entrevista que fiz com minha avó, Dona Aurora Maria, uma cafuza (mistura de negros com índios), na nossa ancestralidade também há brancos, fiquei surpreso, mas a vida seguiu com todas as dificuldades, lutas e superações comuns na vida de um brasileiro de tez escura.

Nasci e cresci aqui em Mato Grosso do Sul, em Dourados, segunda maior cidade do Estado e minha terra natal. Quando era criança morrei na Vila Índio, a rua onde residia dava acesso a aldeia dos Kaiwá o que tornava comum famílias indígenas passarem em frente a nossa chácara, ás vezes buscavam abrigo da chuva na área de casa. Não éramos tão próximos, mas sempre convivemos bem. Cresci ouvindo falar de conflitos entre índios e fazendeiros, contudo a impressão que tenho é que naquela época, década de oitenta, não eram tantos quanto vemos na atualidade, talvez seja pelo fato de que hoje aumentou as informações ou aumentou meu interesse pelo assunto.

Diante do que a mídia mostra, muitos perguntam a causa, e logo surgem muitas respostas, às vezes formuladas rapidamente, e por assim ser, são até simplórias. Não sou versado no assunto, mas pelo pouco que sei, penso que no tocante aos contínuos e crescentes conflitos, há muito tempo os produtores rurais e indígenas são vitimas do governo federal e estadual. O federal criou o impasse quando titulou terras indígenas, e se torna culpado também por não ter dado sequência as demarcações segundo os termos da Constituição Federal de 1988.

Ambos os governos quase que impassivelmente permanecem em suas burocracias gerando tensão e insegurança para quem tem o título da terra, e fomenta o conflito com os que a reivindica como espaço de sua ancestralidade, os índios.

Enquanto os poderes “dormem” em berço esplendido, quem reivindica, bem como quem está sobre a terra, não consegue viver em paz, pois de conflito em conflito, inseguros, os “brancos” após a dura lida no campo tombam cansados sobre seus travesseiros, mas insones rolam na cama sem saber como será o amanhã. Do outro lado, cansados de esperar pelo governo os indígenas invadem propriedades rurais, e ao impacto do chumbo quente, sangue e corpos rolam e tombam por sobre o objeto de litigio, a terra.

Invasão faz parte de nossa nação, está no seu DNA, se formos olhar historica e sinceramente mente veremos que não só Mato Grosso do Sul é terra indígena, mas todo esse Brasil em cujo símbolo nacional maior, centralizado, está escrito: Ordem e Progresso, a eles pertencem, pois essa terra foi invadida e não descoberta.

Ordem e Progresso, tal expressão, lema nacional, foi idealizada por Raimundo Teixeira Mendes, “de origem no positivismo sendo de forma abreviada o lema de autoria do positivista francês Auguste Comte: “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. O positivismo possui ideais republicanos, como a busca de condições sociais básicas, através do respeito aos seres humanos, salários dignos etc., e também o melhoramento do país em termos materiais, intelectuais e, principalmente, morais.” De fato o belo e esperançoso lema nacional evoca e invoca coisas positivas, justas e necessárias para a vida brasileira, todavia, não haverá Ordem nem Progresso, no presente e tampouco no futuro, enquanto o Brasil não colocar em ordem o seu passado. Sim, em tempos de crises é preciso revisitar o ontem para construir um amanhã melhor, nossa nação precisa acertar contas com seu passado se acaso desejar viver em ordem e assim atingir o progresso de se ler, mas sem acerto com o passado se torna impossível de se viver, uma vez que ignorar a crise não traz solução para ela, pois não existem soluções onde não se reflete sobre os problemas.

A crise entre indígenas e produtores rurais ainda que não falemos nela, não calará, pelo contrário, a tendência é clamar mais alto, seja pelo som de armas de fogo que ecoa mais alto do que o zunido de flechas a cortar o ar, seja pelo som de corpos tombados ao som de armas de grosso calibre, seja pelo crepitar das chamas das casas de produtores rurais, seja pelos sons das cantorias, rezas, danças e instrumentos dos indígenas, seja pelas orações de proprietários de terras, seja por meio da ação de aproveitadores inescrupulosos que assim como na questão da Reforma Agrária usam da legitimidade da causa para se locupletarem, seja pela voz da mídia internacional que muito mais que a nacional dá evidência ao que ocorre no estado do Pantanal, que de tempos em tempos, em locais de conflitos, se alaga com sangue, que assim como o de Abel clama aos céus por justiça (Gênesis 4:10).

E Deus com isso?

Perguntaram-me onde fica Deus nessa história. Indagaram-me: Pastor, de que lado Deus está? Dos produtores rurais ou dos indígenas? Respondi que ele está do lado de quem necessita e de quem exerce a justiça e o direito, bases de seu trono. Insistiram em perguntar se Deus não iria agir. Eu novamente respondi e conclui:

Não pretendo delimitar o espaço de atuação divina, longe de mim o querer colocar o Senhor em uma reserva, contudo penso que Deus já fez a parte dele, a questão agora é coisa de seres humanos, de pessoas a quem cabe o analisar e julgar a questão. E que não adianta clamar a ele por uma miraculosa intervenção divina que traga solução a esse impasse. Em quanto cristão eu creio que orações e pregações ajudam, mas sozinhas não resolverão o conflito, pois nessa questão a resposta definitiva vem através do diálogo seguido de boa vontade, ações políticas e jurídicas. Nesse impasse, Deus espera e cobrará atitude de quem se julga civilizado, e concentra em suas mãos o poder de decisão. A eles sua Palavra adverte:

Ai daqueles que promulgam leis iníquas, e todos que elaboram decretos opressores, a fim de privar os pobres dos seus direitos e evitar que os oprimidos do meu povo tenham pleno acesso à justiça, transformando as viúvas em presas de suas ambições e despojando os órfãos! – Odeiem o mal, amem o bem; estabeleçam a justiça nos tribunais. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! ” – Isaías 10: 1 e 2 e Amós 5: 15 e 24″

Que o Senhor nos ajude a agir com equidade e retidão.

Rev. José do Carmo da Silva – Brasileiro neto de negros e indígenas, e segundo minha avó Aurora, também de brancos.

 

profetadaPenso que muitos no meio cristão, principalmente na vertente evangélico/pentecostal já ouviu, ou passou por algo semelhante ao que vou relatar. Não vivenciei, mas acompanhei a família diretamente envolvida. Pastor José do Carmo da Silva – mano Zé
 
Trabalhávamos juntos, nasceu entre nós uma comunhão muito grande, ele assembleiano, eu um metodista, ambos cristãos crentes no poder de Deus. Na empresa, nos horários de pico, ou após as refeições, sempre estávamos juntos, enquanto outros colegas jogavam truco, nós a parte, conversávamos sobre a vida, a caminhada cristã, o mundo… Ele era presbítero em sua denominação, eu, um evangelista na minha. Meu amigo/irmão na fé sempre tomava o ônibus primeiro, já colocava sua bolsa no assento ao lado, reservando-o para mim. Quilômetros à frente eu subia, nos cumprimentávamos e a prosa fluía.
 

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