A propósito do triunfo da misericórdia sobre o juízo

Publicado: 26/04/2018 em Uncategorized

 

Uma história real de pecado, graça, amor, perdão e restauração.

Texto antigo, escrito em de 2012.

posts-o-que-e-restauracaoTive um jovem casal de amigos com quem possuía grande comunhão. Em dois mil e sete meu amigo perdeu a esposa, a qual morrera de câncer. Um ano depois, contrariando a lei da igreja dele, ele casou com uma mulher não convertida. Ela era simpatizante, mas não se batizou, alegando que não se sentia preparada.

Em 2010 eu fui visitá-los e durante um bate-papo tomando tereré com o casal estranhei quando ele pediu a ela para nos deixar a sós, pois precisava falar comigo. Ela saiu com o bebê no colo e disse que ia preparar um cafezinho, depois ia a padaria comprar pães. Continuamos no tereré e depois de um tempo cabisbaixo ele falou tristemente que não mais estava indo na igreja que frequentou por mais de 15 anos e na qual fora presbítero desde antes de ficar viúvo. Perguntei o motivo e ele disse que fora traído pela atual

esposa, ela o fez por três vezes, e nas três ele a perdoou. Quando ocorrera pela terceira vez o pastor o chamou e disse que haveria uma reunião do presbitério e que o assunto era sobre a vida dele. Na reunião, ato de destituição dele do presbitério, o pastor disse a ele: “varão, você tem é que tomar atitude de homem, pois: perdoar uma vez é por amor, duas é por atitude cristã, mas três vezes já é incentivo à safadeza.”

Segundo ele, o pastor ainda lhe disse que ele deveria abandonar a mulher, pois ela tinha dado base bíblica para a separação ao ser infiel a ele. E que poderia buscar esposa entre as fieis da igreja local. Ele respondeu que havia perdoado ela, que a amava e que também pensava no filho pequeno, por isso não iria abandoná-la. Na presença dos outros presbíteros, o pastor respondeu que ele não tinha que se preocupar com a criança, pois o filho provavelmente nem seria dele, uma vez que vivera quase dez anos com a primeira esposa e nunca tinham gerado filhos. Meu amigo disse que saiu do recinto de cabeça baixa e à medida que seguia pelo corredor ouvia risos…

Ali no quintal, assentados sob uma mangueira o silêncio tomou conta de nós dois. Ambos ficamos olhando para o chão. Até que ele levantou a cabeça e com lágrimas a rolar pela face quebrou o silêncio e perguntou-me: – Zé, meu irmão… O que você acha?

Eu respondi a ele: – irmão a decisão é só sua, você é quem deve decidir, a igreja caberia o respeitar sua decisão. Deveria respeitá-lo se decidisse se separar, bem como na decisão que tomou de ficar com ela. Uma vez que você a perdoou restaria à igreja respeitá-lo e tentar ajudá-los na superação dos problemas…

Perguntei-lhe sobre a criança, ele disse que sabia não ser dele, pois no relacionamento anterior sempre soube que o estéril era ele, mas nunca falara nada na igreja, salvo ao pastor em um aconselhamento pastoral. Foi assim que descobriu a infidelidade da esposa, mas como sempre desejou ter um filho, a perdoou e assumiu a criança, amando-a como se fosse filho legítimo. A tripla traição fora com um ex-namorado, quando confrontada sua esposa disse que estava arrependida de verdade, e lhe implorou perdão. Ele a princípio saiu de casa, mas depois de uma luta muito grande com seu orgulho e raiva, os quais foram vencidos pelo amor e misericórdia, decidiu perdoar a esposa e voltou para casa. Esperava que a igreja fosse entender… Mas…

Para superar o problema foram embora para outra cidade e lá procuraram outra igreja. Seis meses atrás conversando com meu amigo por telefone fiquei sabendo que a família estava bem, todos felizes. Sua mulher se convertera e se batizou, segundo ele, ela fora até batizada com o Espírito Santo. Ele estava bem, auxiliava o pastor e também pensava em ser pastor. Como dizem lá no ministério pentecostal deles, “estava em prova” para dois anos depois ser levantado pastor.

Quando ele contou sobre o desejo de ser pastor, pensei comigo, certamente será um grande pastor a frente de um ministério abundante no exercício de misericórdia e amar sem limites. Veio-me a mente as palavras bíblicas:

“Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” Tiago 2:13.

“A misericórdia triunfa do juízo.” Misericórdia triunfa… Triunfa… Triunfa… Triunfa! É triste que na Igreja nem sempre se viva isso, ainda que se pregue sobre isso.

José do Carmo da Silva – Mano Zé

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