Estou me transferindo para outra denominação. Rev. José do Carmo da Silva

Publicado: 24/05/2016 em Uncategorized

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Aos amigos e amigas, ao povo metodista e demais irmãos… quero brevemente aqui falar de algo que ocorre todos os dias em todas denominações cristãs, pessoas que trocam de igrejas. Aqui não me refiro a mudança intradenominacional, mas sim a troca de denominações. Pastor estou me transferindo para outra denominação!! Todo pastor já ouviu tal declaração, já enfrentou tal situação, quem é novo no pastorado que se prepare, pois mais cedo ou mais tarde certamente a enfrentará, com indivíduos ou grupos, e nem sempre será por responsabilidade ou irresponsabilidade nossa.

O que leva uma pessoa a trocar sua comunidade de fé por outra denominação?

Creio que há pessoas que mudam de igreja com base em motivos justificáveis, às vezes devido mudança para um local mais distante de onde congregavam e a falta de sua denominação nas proximidades as forçam a isso, também por causa de abuso espiritual sofrido da parte de pastores e lideranças fechadas ao diálogo, comunidades que passam por mudanças tão profundas de forma que os membros não mais conseguem reconhecer nelas a comunidade que um dia ajudaram a construir. Pode ser também por conta de heresias pregadas e adotadas sistematicamente, ou pelo fato de que se identificaram com um novo ensino teológico que é de acordo com o que procuram…. Além das supracitadas razões as justificativas mais comuns são quase sempre de que finalmente encontraram uma “igreja avivada”, “repleta do poder”, “cheia do Espírito”, e que mudaram pois a anterior era tradicional e só cantavam hinos, o pastor pregava muita teologia, não tinha unção, a oração dele não derrubava ninguém…

Já ouvi justificativa do tipo: ‘deixei minha igreja, pois lá o pastor não acredita no demônio!’ Eu interagi e perguntei:

“Mas, não é suficiente ele acreditar em Deus, uma vez que a Bíblia diz ser o demônio o pai da mentira e um mentiroso e homicida desde o princípio?” A resposta foi o silêncio.

Há ainda os “puristas” que dizem que saíram, pois havia tolerância com os pecadores na igreja anterior, a irmandade era hipócrita, o amor não era verdadeiro, havia isso e não havia aquilo, o pastor não visitava… Por outra lado há aquelas que fazem por imaturidade, narcisismo ou rebelião. Nessa categoria há pessoas que só permanecem na igreja enquanto não são confrontadas em suas posturas, enquanto estão desfrutando de sua zona de conforto, mas quando tal confronto ocorre, e elas são desafiadas a ação, mudança de vida, crescerem espiritualmente,  e  ao envolvimento maior com a obra de Deus e compromisso com a manutenção e serviço na comunidade, elas se afastam, se fecham e logo recebem uma “revelação” de seu ‘deus ego”, e transferindo o que carnalmente conceberam como sendo direção de Deus passam a anunciar a uns e outros que seu tempo ali chegou ao fim.

Algumas ainda avisam seus pastores, outros mandam avisar, outras simplesmente não mais aparecem. Há os que saem em paz, sob a benção,  mantendo assim a porta amplamente aberta para um possível retorno, ou para a ocasionalmente ali cultuar junto com aqueles com quem durante muito tempo vivenciou grandes momentos comunitários. Vergonhosamente por outro lado há aqueles que saem difamando a igreja, o pastor e a irmandade.

Sem deixar de considerar a legitimidade de mudanças apontadas no início dessa reflexão, grande parte dos migradores de igrejas, caçadores da igreja perfeita perdida, é composta por crentes imaturos que não aceitam admoestação, não se deixam pastorear, pessoas assim jamais mudam com o confronto, antes se mudam após o confronto. Lamentavelmente por ser assim, o processo voltará a se repetir, pois o problema não estava na igreja anterior, mas sim no interior de cada uma delas. Muitas das tais se encaixam naquela categoria de pessoas que Paulo em 2 Timóteo 3:7 diz que “aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.” – Sim, pois só chega ao conhecimento da verdade quem aceita ser confrontado, aconselhado, moldado. Não há mudança sem confronto. Quem confronta ama, quem não ama simplesmente não se importa, antes abandona a pessoa a seus próprios atos. O confronto e a disciplina fazem parte da pedagogia amorosa de Deus para conosco. “E estais esquecidos da Palavra de encorajamento que Ele vos dirige como a filhos: “Meu filho, não desprezeis a disciplina do Senhor, nem desanimeis quando por Ele sois repreendido, pois o Senhor disciplina a quem ama, e educa todo aquele a quem recebe como filho”. Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina; Deus vos trata como filhos. Ora, qual o filho que não passa pela correção do seu pai? … Hebreus 12:5 a 7. Nessa mesma perspectiva em amor, devemos agir enquanto pastores do rebanho de Deus.

 

É sábio uma autoanálise quando ocorre o citado nesse artigo, sempre devemos analisar nosso ministério, pois somos sujeitos a falhas, todavia, em favor dos que deixam a comunidade, pois rejeitam o confronto pastoral, cientes de que fizemos tudo o que nos cabe, ainda que feridos pela situação, devemos amá-los e orar para que amadureçam e sejam bençãos no Reino de Deus através da nova comunidade onde escolheram caminhar. Todo pastor deve buscar manter o rebanho, valorizar cada pessoa, porém, não a qualquer preço, principalmente o preço da verdade. Convicto de que foi pastor presente, que tudo fez para a inclusão e crescimento de quem descontente desejou e decidiu partir, deve-se ficar em paz. O pastorado continua, há muitas outras vidas a alcançar e cuidar, o Senhor nos desafia a seguir a caminhada e desfrutar da mesma paz que ele pôs sobre aquele que aos Gálatas declarou: Tornei-me acaso vosso inimigo, porque vos disse a verdade?

– Gálatas 4:16

Reverendo José do Carmo da Silva

Leia um excelente artigo sobre o tema aqui abordado clicando nesse link: Conselhos àqueles que pensam em mudar de Igreja

comentários
  1. antonio celestino silva disse:

    Vdd verdadeira, tive um tempo afastado da igreja , fui para outra mas depois um ano na hora de decidir sobre se ficava ou não, resolvi voltar , sei q é muito triste qd isso acontece , mas não devemos agir de tal maneira, pq o Deus q se serve aqui serve lá tbm , mas os erros não são iguais, pq nos erramos por não conhecer a palavra e tbm não entender os encinamentos, e por aí é q o membro da Igreja se dispersa e vai para outro caminho q talvez nem seja outra denominação, mas se desvia por completo. .. mas em tempo o Senhor me resgatou e me transformou minha vida por inteiro. E continuo aqui onde o Senhor me ensinou e me deu forças para continuar a servi lo.

  2. Republicou isso em Pensando & Crendo no Caminhoe comentado:

    O que leva uma pessoa a trocar sua comunidade de fé por outra denominação?
    Creio que há pessoas que mudam de igreja com base em motivos justificáveis, às vezes devido mudança para um local mais distante de onde congregavam e a falta de sua denominação nas proximidades as forçam a isso, também por causa de abuso espiritual sofrido da parte de pastores e lideranças fechadas ao diálogo, comunidades que passam por mudanças tão profundas de forma que os membros não mais conseguem reconhecer nelas a comunidade que um dia ajudaram a construir. Pode ser também por conta de heresias pregadas e adotadas sistematicamente, ou pelo fato de que se identificaram com um novo ensino teológico que é de acordo com o que procuram…. Além das supracitadas razões as justificativas mais comuns são quase sempre de que finalmente encontraram uma “igreja avivada”, “repleta do poder”, “cheia do Espírito”, e que mudaram pois a anterior era tradicional e só cantavam hinos, o pastor pregava muita teologia, não tinha unção, a oração dele não derrubava ninguém…

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