Um bate-papo direto e reto sobre sexo e a injustiça praticada e tolerada pela Instituição chamada Igreja – Humildemente tentando ajudar a tirar o cisco da Visão.

Publicado: 28/02/2015 em Uncategorized

320814_381278368654672_3196048_nA Bíblia Sagrada não é um livro focado no pecado, mas sim na graça de Deus, o qual ama o pecador, todavia, o pecado e suas consequências estão presentes desde o primeiro ao ultimo livro da Escritura Sagrada. Pecado… Errar o alvo… Sei o quanto é delicado tratar do tema na Igreja, pois expõe o Corpo já ferido por sua presença. O pecado oculto, ou quando vem a lume, sempre prejudica a vida da comunidade, mas quando ele vem à tona há a possibilidade de lidar com ele e tratar o pecador trazendo cura a todo o corpo. O processo se torna mais fácil quando o envolvido cai em si, confessa e deixa a prática. Ainda no Velho Testamento a Palavra já assinala em Provérbios 28.13. “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” O cristão não deve temer ao diabo, pois esse é vencido, pois Cristo na cruz triunfou sobre ele e seus principados e potestades. O cristão deve temer ofender a Deus por meio do viver consciente na prática do pecado.  Há uma estória, ou história, sobre João Crisóstomo, o “boca de ouro” (309 – 407) que diz o seguinte: “Arcádio, imperador de Constantinopla, instigado por sua esposa Eudóxia, quis castigar o pregador. Cinco juízes propuseram diversos castigos: Mandai-o ao desterro, disse um. Tirai-lhe os bens, acrescentou outro. Metei-o na prisão, acorrentado. Tirai-lhe a vida. O último, por fim, disse ao imperador: Se o mandais ao desterro estará contente, sabendo que em todas as partes Deus estará com ele; se lhe despojais de seus bens, estareis prejudicando não a ele, mas aos pobres; se o encerrais em um calabouço, beijará as correntes; se o condenais à morte, estareis abrindo para ele as portas do céu…. Fazei-o pecar: É a única coisa da qual ele tem medo”. Será que agimos como João Crisóstomo? O cristão foge do pecado não por temer o inferno, pois o verdadeiro amor lança fora todo medo dessa natureza, antes o evita por temer ferir a Deus, ofender ao Senhor, o qual nos comprou por alto preço.

Na compreensão Protestante, todo pecado é uma ofensa a Deus, no salmo 51, o qual escreveu depois de ter sido confrontado pelo profeta, devido ao adultério com Bete Seba e suas ações contra o esposo dela, Urias, a quem matou, o salmista Davi escreveu: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares. – Salmos 51:4” – Anteriormente ele diante do “dedo de Deus” em sua face, ao ser confrontado,  disse ao profeta Natã: “Pequei contra o Senhor!” – 2 Samuel 12:13. Pecar é colocar em prática àquilo que nos agrada, mas desagrada a Deus (2 Samuel 11: 27), assim sendo, no sentido de obter perdão, o pecado deve ser confessado tão somente Àquele que é o primeiro a ser atingido, Deus.

No Novo Testamento, já no âmbito de Igreja, comunidade instituída, Tiago orienta: “Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados.” – Tiago 5:16 – A confissão a Deus visa a obtenção do perdão, já a confissão entre irmãos, entre as partes antes separadas pela ofensa, acompanhada pela oração visa a cura do relacionamento ferido, das mágoas estabelecidas, das feridas abertas. Penso que, em certos casos, após o cristão ter confessado suas transgressões a Deus primeiramente, deverá buscar ajuda pastoral,  isso não para obter perdão, mas ajuda, em casos onde não consiga vencer àquilo pelo qual foi vencido. Embora muitos católicos e protestantes que praticam a confissão auricular vejam nas palavras de Tiago uma das bases para a instituição do sacramento da reconciliação,  a maioria protestante vê em tais palavras o exercício do sacerdócio universal do cristão, defendido por Lutero e outrora levado  a prática nas bands ou classes criadas por John Wesley nos primórdios do Povo Chamado Metodista.

Estranhamente quando mencionamos a palavra PECADO, muitos logo imaginam algo com teor sexual, relacionado a adultério, homossexualidade, pornografia… Mas a ação do pecado na Igreja abrange muito mais áreas da vida humana do que na esfera da sexualidade. Há as intrigas, os partidarismos, briga pelo poder, abuso espiritual, prevaricação, discriminação social e de gênero, corrupção, injustiças… Das vezes que nomeia às práticas pecaminosas que impedem a comunhão terrena e eterna com Deus, Paulo não fica somente na esfera da genitália humana.

“Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.” – 1 Coríntios 6:9-10 – Quando faz a anterior citação, Paulo está tratando de injustiça na igreja, litígio entre irmãos. Um cristão de Corinto processou o outro na “justiça comum”, o fato se tornou tão conhecido, que causou vergonha à Igreja, obviamente que se tornou “primeira página” entre os não crentes. Ele não impõem o sofrer o dano, coloca como possibilidade de escolha para o lesado, o que ele condena é a busca de pessoas fora da comunidade cristã, infiéis, para julgar questões que poderiam serem tratadas internamente. A citação de  1 Coríntios 6:9-10, assim como: Apocalipse 21:8, Gálatas 5:19,20, e I Tm 1: 9 a 11, mostra que no tocante a pecado, embora questões sexuais apareçam dentre elas, a lista é grande, e muito mais abrangente do que questões sexuais, o ser humano é capaz de práticas, que se DEUS não fosse conhecedor da natureza da sua criação, até Ele duvidaria.

Não quero focar pecados sexuais somente, mas cito 1 Cor 5: “Por toda parte se ouve que há imoralidade entre vocês, imoralidade que não ocorre nem entre os pagãos, a ponto de alguém de vocês possuir a mulher de seu pai.” – 1 Coríntios 5:1 – O texto fala de algo que se tornou “primeira página” por toda parte, em bocas e ouvidos de crentes e não crentes. Penso que quando explodiu a notícia de que na Igreja de Corinto havia um camarada que tinha relações sexuais com a madrasta dele, muitos ficaram chocados, embora estranhamente, outros estavam orgulhosos com aquilo, com uma prática que segundo Paulo não existia nem entre os pagãos… Naquele caso o ato de alguns crentes superava as práticas dos descrentes, hoje, ocorre que nem sempre há superação, mas em muitos casos há equiparação, está tudo igual, junto e misturado, o que há fora da Igreja no tocante a imoralidade, corrupção e outras práticas condenáveis, há dentro dela também. Olhe os políticos evangélicos, muitos deles em nada se diferem dos não evangélicos, há ateus ou agnósticos que agem com muito mais ética do que muitos parlamentares cristãos. No tocante a prática da injustiça, da opressão, do uso de dois pesos e duas medidas, não precisa ir muito longe, não é necessário olhar para fora, basta olhar para dentro das Instituições religiosas, as Igrejas.

Aqui abordo um tema, no qual exponho minha cabeça, mas não posso me calar, pois não perdi a Visão do Reino de Deus e sua justiça, e pela graça do Alto não a perderei jamais. Em se tratando de discipulado e sua implantação nas Igrejas Históricas, dentre as quais, a Metodista, há um cem número de  ovelhas injustiçadas por seus pastores e líderes, pessoas feridas através do autoritarismo, abuso de poder, imposição, exposição,  exclusão, ostracismo… Quantos pastores são vitimas de seus bispos e SDs pelo fato de que adotavam uma pastoral diferente… Quantas pessoas, pastores e leigos saíram da Igreja por conta da adoção de uma visão que em cuja implantação fez acepção de pessoas, impôs um jeito de ser e fazer discípulos que tratou os “da visão” (nada a ver com um Davi grandão – ‘da visão’, rsrs) como sendo mais pastores do que os que por vários motivos se opuseram ou a questionaram, alguns nem contra eram, antes não haviam entendido.  Na implantação faltou misericórdia da parte de muitos clérigos, inclusive bispos, assim como faltou humildade da parte de muitos leigos e pastores, os quais apegados ao tradicionalismo não se abriram ao novo, condenaram e rejeitaram sem ao menos conhecer, ou conheciam de ouvir falar, desprezaram uma boa ferramento pelo fato de que alguns fizeram e ainda fazem mau uso dela… Faltou diálogo, faltou amor, tolerância… Hoje vejo com muita alegria que o equilíbrio está chegando… A cada novo ministerial eu glorifico a Deus, pois ventos de amor e tolerância soprados pelo Espírito Santo começam a tirar o cisco da visão, todavia, ainda é preciso que haja pedido e liberação de perdão, confissão a Deus para perdão dos pecados e confissão e oração entre o corpo clérigo e laico para que haja a cura. É preciso… É urgente, pois o que é edificado sobre pecado oculto, principalmente a injustiça, ainda que cresça será derrubado pelas mãos de DEUS, pois como disse João: “Toda injustiça é pecado.” (1 João 5:17). Ainda há tempo, no caso metodista, esse ano é ano de Concílios Regionais, ano que vem haverá Concilio Geral… Uma igreja que quer prosperar não pode encobrir suas transgressões. (Pv 28.13)

Falando ainda sobre pecados da Instituição, hoje estamos vivendo um tempo, em que contra ela, pastores e leigos vão à justiça comum em busca de seus direitos. E tem se tornado comum à justiça conceder ganho de causa a quem o faz, principalmente quando a instituição religiosa impõe ao pastor o bater metas numéricas tanto no sentido do crescimento da membresia como da arrecadação, isso gera vínculo empregatício, pois impõem produção. Geralmente quem assim procede é taxado de traidor da igreja, contudo, será que não devemos nós nos perguntar: “será que a liderança da instituição que fora levada a “justiça comum” não cometeu antes injustiças contra o obreiro, impondo a ele uma forma de agir que se enquadra mais no âmbito empresarial pragmático do que no ser ministro de uma Igreja, à luz da Bíblia e Tradição cristã? Muitos usam a fala de Paulo em I Cor 6. 1 a 8, onde ele trata de litígio entre irmãos para condenar tal ação e pessoas, mas o próprio Paulo quando se viu injustamente acusado de algo por seus irmãos judeus, embora já fosse seguidor do Caminho, não abriu mão de seus direitos, antes apelou para Cesar,  na época, a mais alta corte Atos 25:11. Ele também fez uso de seu privilégio de cidadão romano, uma vez em Éfeso, quando os magistrados açoitaram e prenderam a ele e a Silas. As autoridades antes mandou bater e só depois foram saber em quem haviam batido, e então mandaram seus soldados libertar os missionários para que, secretamente, deixassem a cidade. Paulo, conhecedor das leis romanas, replicou: “Sendo nós cidadãos romanos, eles nos açoitaram publicamente sem processo formal e nos lançaram na prisão… Venham eles mesmos e nos libertem” (Atos 16:17). – Paulo também fez uso de sua cidadania romana, (aqui antes de apanhar, já que não perguntaram quem ele era, ele logo se apresentou, rsrs) quando sendo perseguido por seu povo foi ameaçado de ser novamente açoitado injustamente:

“Então todos levantaram a voz e gritaram: “Tira esse homem da face da terra! Ele não merece viver! ” Estando eles gritando, tirando suas capas e lançando poeira para o ar, o comandante ordenou que Paulo fosse levado à fortaleza e fosse açoitado e interrogado, para saber por que o povo gritava daquela forma contra ele. Enquanto o amarravam a fim de açoitá-lo, Paulo disse ao centurião que ali estava: “Vocês têm o direito de açoitar um cidadão romano sem que ele tenha sido condenado? ” Ao ouvir isso, o centurião foi prevenir o comandante: “Que vais fazer? Este homem é cidadão romano”. O comandante dirigiu-se a Paulo e perguntou: “Diga-me, você é cidadão romano? ” Ele respondeu: “Sim, sou”. Então o comandante disse: “Eu precisei pagar um elevado preço por minha cidadania”. Respondeu Paulo: “Eu a tenho por direito de nascimento” –  Os que iam interrogá-lo retiraram-se imediatamente. O próprio comandante ficou alarmado, ao saber que havia prendido um cidadão romano.” – Atos 22:22-29

Nas questões atuais, onde leigos e clérigos estão atuando a Igreja na justiça comum, devemos considerar que o Estado é estabelecido por Deus, como Lutero dizia, ele é espada em uma das mãos de Deus.  Lutero dizia: “Temos que fundamentar bem o direito e a espada secular para que ninguém duvide que ela exista no mundo por vontade e ordenação de Deus. As palavras que a fundamentam são: Rm. 13: 1-2  e 1 Pe 2:13”[1]. Skinner afirma que a influência de Lutero contribuiu para tornar (Rm.13;1), durante toda a era da reforma, o texto mais citado a respeito dos fundamentos da vida política[2]. Obviamente que toda Instituição religiosa séria deve ter seus meios legais de julgar questões internas, buscando a prática da justiça e do direito, da equidade e da retidão, cabe aos clérigos e leigos buscar tais organismos internos, mas quando eles estiverem eivados pela tendenciosidade, pelo partidarismo, pela injustiça os tais não possuem moral para julgar nada, assim de acordo com sua consciência cabe ao que se sente lesado decidir entre sofrer o dano ou litigar na justiça comum.  As consequências espirituais do pecado da injustiça são da alçada divina, todavia, as consequências temporais, quando a instituição religiosa falha, cabem a alçada temporal  impor.

Em suma, não só no tocante ao pecado da injustiça, muito presente nas instituições religiosas aficionadas em apontar e condenar outras formas de pecados, a exemplo dos sexuais, concluo com o conselho paulino: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.” (Gálatas 6:1). “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes”; “Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.” (2 Tessalonicenses 3:6,14-15) Devemos sempre nos lembrar que na comunidade sempre haverá três grupos de pessoas: os que caem e os que escolheram ficar caídos. E os do que estão, ou pensa estar de pé, deve sempre agir com amor em ambos os casos.

Por qualquer prática de pecado oremos pela Igreja, por quem está caído, e por quem está, ou pensa estar em pé. Oremos…

Rev. José do Carmo da Silva.

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_________________

[1] FEBVRE, Lucien. Martinho Lutero: Um Destino. 1ª Ed. Em Português. Trad. Maria Elizabeth Cabral. Livraria Bertrand. 1976

[2] SKINNER, Quentin. As Fundações do Pensamento Político Moderno. Trad. e revisão técnica: Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

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