“Tetélestai” – O Sacrifício de Cristo a Deus por nós. O Nosso Sacrifício em Cristo a Deus. – Reverendo José do Carmo da Silva – Mano Zé do Egito

Publicado: 03/04/2013 em Uncategorized
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Imagem“Mas vós sois a Geração Eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo escolhido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

I Pedro 2:9

Vivendo ainda as reflexões sobre a Páscoa, vos convido a pensarmos juntos sobre o Sacerdócio de Cristo e o da Igreja. O sacrifício oferecido por Cristo há dois milênios e o sacrifício oferecido cotidianamente pela Igreja Corpo de Cristo através de seus fiéis. Não vou entrar aqui nos pormenores do conceito de sacrifício existente na teologia católica romana, a qual defende a missa como sacrifício perpetuador do ocorrido no Calvário.  Todavia é preciso dizer que há diferença entre a celebração protestante e a católica romana. Para Igreja Católica a Santa Missa não é simplesmente culto celebrativo em honra e glória a Deus por meio de Cristo, mas possui caráter de sacrifício.  A sessão XXII (1562) do Concílio de Trento assim declara:

 

Visto que neste divino sacrifício que é celebrado na missa está contido e imolado de modo não sangrento o mesmo Cristo que uma vez ofereceu-se a si mesmo de modo sangrento no altar da cruz, o santo concilio ensina que este é verdadeiramente propiciatório. . . Pois, apaziguado por este sacrifício, o Senhor concede a graça e o dom da penitência, e perdoa até mesmo o mais grave dos crimes e

pecados. Pois a vítima é a mesma, a mesma agora oferecida pelo ministério dos sacerdotes, a qual então se ofereceu na cruz, sendo diferente apenas o modo da oferta.19

Se alguém disser que na missa o sacrifício real e verdadeiro não é oferecido a Deus. . . seja anátema. (Cânon 1)

Se alguém disser que mediante as palavras Fazei isto em memória de mim Cristo não instituiu os apóstolos como sacerdotes  ou não ordenou que eles e outros sacerdotes ofereçam o próprio corpo e sangue dele, seja anátema. (Cânon 2)

Se alguém disser que o sacrifício da missa é somente de louvor e ação de graças; ou que é mera comemoração do sacrifício consumado na cruz, mas não propiciatório, seja anátema. (Cânon 3)

Os Cânones do Concilio de Trento permanecem em vigor como parte do ensino oficial da Igreja Católica Romana. A sua substância foi confirmada na primeira metade deste século, por exemplo, em duas encíclicas papais. Pio XI em Ad Catholici Sacerdotii (1935) descreveu a missa como sendo em si mesma “um sacrifício genuíno. . . que possui eficácia genuína”. (STOTT, John. A Cruz de Cristo. Pág. 240.)

 

Obviamente que tal posição é peculiar da Igreja de Roma, pois sobre ela se edifica todo um sistema sacerdotal, que possui um Sumo Sacerdote, o Papa. Na celebração católica, basta um altar e um padre (sacerdote) para a realização do sacrifício. Na celebração evangélica o povo é de essencial importância na celebração cúltica. Embora a missa atual tenha sofrido influência protestante no Concílio Vaticano II, uma das razões pela qual ela é rejeitada por inúmeros católicos ultraconservadores que advogam o retorno pleno da Missa “Tridentina” ( Tridentino” se refere ao Concílio de Trento – 1545-1563)

 

Por hora deixando de lado o pensamento católico romano sobre sacrifício, sigamos centrados nas concepções protestantes, partindo da seguinte declaração de Pedro: “Mas vós sois a Geração Eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo escolhido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

I Pedro 2:9

Pedro afirma acima que dentre outras características da Igreja se encontra a de “sacerdócio real”. Os Reformadores lutaram para que o clericalismo caísse entre o povo de Cristo. Eles proclamaram o chamado “Sacerdócio Universal do Crente”. Tais conceitos mostram que em meio aos cristãos não há uma casta sacerdotal como no AT. Pois, a luz do Novo Testamento, a Igreja se torna a comunidade daqueles que de uma vez por todas foram justificados através de um único e eficaz sacrifício oferecido por Deus em Cristo, e por Cristo a Deus. Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus se constitui ao mesmo tempo Sacerdote e Vítima expiatória. Porém, embora a Igreja seja um sacerdócio real, ela não oferece a Deus sacrifício vicário (substitutivo) uma vez que tal sacrifício ocorreu na cruz e a vítima expiatória escolhida por Deus, a saber, seu Filho unigênito, na cruz/altar declarou: “Tetélestai” Está consumado!” João 19:30.

Hoje vivemos a ressurreição dos sacrifícios do AT em meio a Igreja. Comunidades neopentecostais, ou Igrejas Históricas influenciadas pelo movimento neopentecostal revivem o sistema sacerdotal da Antiga e obsoleta aliança veterotestamentária. O exemplo mais claro do supracitado pode ser verificado na IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, a qual possui todo um sistema sacerdotal, com sacrifícios que visam não o perdão do pecado, mas a prosperidade do fiel. Tal compreensão e aplicação de termos do Antigo Testamento a vida dos crentes na Nova Aliança, o Bispo Metodista, Paulo Ayres Mattos denomina de “teologia sacrificial” de Edir Macedo.

Em tal sistema o sacrifício pessoal ou de bens obtém pela fé as bênçãos de Deus. Obviamente que tal conceito fere a essência da graça, podendo ser anulado com as seguintes palavras de um cântico Paulino. “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” – Romanos 11:33-36.

Mas sendo a Igreja um sacerdócio real, e sendo uma das funções de um sacerdote oferecer sacrifício, qual seria o sacrifício que a comunidade cristã oferece a Deus? Abaixo veremos nas palavras do Reformador Anglicano Thomas Cranmer, (1489-1556) a diferença entre: o Sacrifício de Cristo a Deus por nós. O Nosso Sacrifício em Cristo a Deus. Durante os reinados de Henrique VIII e Eduardo VI, Thomas Cranmer foi e Arcebispo de Cantuária (1533-1556).

 

Um tipo de sacrifício há que é chamado de sacrifício propiciatório ou misericordioso, isto é, um sacrifício tal que pacifica a ira e a indignação de Deus, e obtém misericórdia e perdão para nossos pecados… E embora no Antigo Testamento houvesse certos sacrifícios com esse nome, contudo há apenas um desses sacrifícios pelos quais nossos pecados são perdoados, e a misericórdia e o favor de Deus obtidos, o qual é a morte do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo; nem jamais houve outro sacrifício propiciatório em qualquer tempo, nem jamais haverá. E é está a honra e a glória desse Sumo Sacerdote, no qual ele não admite nem parceiro nem sucessor…

Outro tipo de sacrifício há que, embora não nos reconcilie com Deus, é feito por aqueles que são reconciliados por Cristo, a fim de testificar de nossos deveres para com Deus e mostrar-nos agradecidos a ele. Esses, portanto, são chamados sacrifícios de louvor, adoração e ação de graças.

O primeiro tipo de sacrifício Cristo ofereceu a Deus por nós; o segundo tipo nós oferecemos a Deus por Cristo. (Cranmer, On the Lord’s Supper, p.235. – STOTT, John. A Cruz de Cristo. Pág. 237,238.).

A respeito do perfeito e eterno sacrifício de Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus, o anônimo escritor da carta aos Hebreus escreve:

“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque”. Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus. E visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, Mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá; Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque), De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre. – Hebreus 7: 17 a 28

Em suma, Paulo orientando aos cristãos de Roma, deixa claro que o sacrificio a ser oferecido a Deus por nós como cristãos, não é outro, a não ser nossas vidas. Paulo contrapõe a vida cristã a vida dos pagãos cujos cultos e sacrificios envolviam orgias e outras coisas impuras, em Romanos 12. 1, ele orienta: “Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.” Nada podemos oferecer a Deus, se primeiramente e principalmente não nos ofertarmos a ele, por meio de Cristo, o qual nos justificou e nos entregou ao Pai. 

Que Deus nos de a graça para que por Cristo, com Cristo e em Cristo possamos oferecer a Deus nossas vidas como sacrifícios vivos e agradáveis a Deus, por meio de uma vida transformada individualmente e transformadora socialmente.

. A Deus a Glória!

Reverendo José do Carmo da Silva – Mano Zé do Egito

 

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