REFLEXOS DE UMA INSANORELIGIOSIDADE TRAGICOMORBIDA

Publicado: 22/01/2013 em Artigos, ministério pastoral, Uncategorized
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Reverendo José do Carmo da Silva – Mano Zé do Egito

ImagemNaquela noite, como de costume, o sermão dele foi ácido puro, derramou fogo e enxofre sobre a congregação. Esmurrando o púlpito, gritava alto, dizendo que Deus odiava os hipócritas, detestava espírita, abominava católicos, repudiava judeus, mas que estava disposto a dar uma segunda chance a quem se tornasse adepto da igreja dele.

Julgava-se iluminado, intocável, crente que possuía infalibilidade pastoral ficava cheio de orgulho “santo” quando alguém lhe batia nas costas e o declarava como, “a boca de Deus falando suas ultimas palavras aos homens”. Estranhamente sempre tinha gente elogiando as mensagens dele, apesar de que o índice de pessoas depressivas na congregação aumentava na mesma velocidade que ela se esvaziava. Tinha uma preferência mórbida por textos do Antigo Testamento, dizia que o povo tinha que primeiro sentir a lei para assim valorizar a graça quando conseguissem merecê-la por meio de suas vidas santas.

Imerso em sua ‘insanoreligiosia’, ele não se tocava que havia algo errado com suas pregações, não atinava que o deus carrasco que ele apresentava não condizia com o Deus e Pai que Jesus de Nazaré revelou no Evangelho. Seguia em sua rigidez doutrinaria, apesar de a esposa e os filhos já o terem abandonado, uma vez que com ele viviam sob constante pressão psicológica, medo, terror, pois ele os monitorava vinte e quatro horas para ver se estavam cumprindo as normas da igreja. Cada vez mais sozinho ele impavidamente seguia na sua insana cruzada contra todos que pensavam diferente do evangelho segundo ele pregado.

Uma noite, um homossexual foi visitar a igreja dele, ao vê-lo decidiu mudar o sermão para, Levítico 18.22; 20.13, dizendo que Deus o havia orientado a pregar sobre o tema. As poucas pessoas que ali restavam já não se surpreendiam mais, pois isso ocorria sempre. Após 45 minutos de descarga verborrágica com odor de fogo e enxofre, ao se despedir do homossexual sem cumprimentá-lo como fizera pegando nas mãos dos outros fieis, olhando nos olhos dele, disse: – eis que estou livre do seu sangue, pois lhe preguei a verdade, agora você já sabe o que Deus sente por você e por seus atos, quarta-feira tem reunião de oração, venha que vou exorcizar você. O rapaz que entrará mudo no templo, mudo saíra e não voltou durante a semana.

No domingo seguinte corria pela congregação a noticia de que ele havia se enforcado na segunda feira posterior a sua ida ao culto. Tendo anteriormente ficado sabendo da noticia, o pastor preparou um sermão com o seguinte título: “o mal por si mesmo se destrói”

Findado o culto, crente que tinha dado o recado divino, foi para casa, e naquela noite após ter se ajoelhado aos pés da cama, orou jurando que na manhã seguinte colaboraria para diminuir a hipocrisia e a desgraça no mundo.

O sol raiou, mais um dia nasceu e o despertador lhe gritou ao ouvido, ele desligou-o, abriu a gaveta do criado-mudo e pegou algo, caminhou até o banheiro, olhou para sua imagem no espelho, refletiu sobre si mesmo, e se recordando da promessa anteriormente feita a cumpriu, dando um tiro no próprio ouvido.

Conclusão

A cura para a hipocrisia religiosa foi criada ha dois mil anos por um judeu chamado Jesus de Nazaré, ele trouxe a formula do céu, sintetizou a em amor e a chamou de: Evangelho puro e simples.

O problema é que os religiosos para perpetuarem sua espécie adulteraram a fórmula, retirando dela o ingrediente principal, A GRAÇA, e substituíram por legalismo e dogmas. Eis a razão de tanta gente adoecer, enlouquecer, matar ou morrer por causa de religião.

O efeito colateral de tal “medicamentirose” é que: cristianismo sem o Evangelho se tornou o antônimo da graça, o oposto da vida e antagonismo da liberdade.

Reverendo José do Carmo da Silva – Mano José Do Egito

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