Pornografia. Não seja um “pornôgrafomano” anônimo – O falar sobre o problema torna possível dizer NÃO e evitar o primeiro clique.

Publicado: 06/06/2012 em Artigos, ministério pastoral
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Dia desses vi na internet a notícia de que um padre foi dar uma palestra para pais sobre primeira comunhão, quando de repente clicou em um slide de conteúdo pornográfico armazenado em seu notebook. A situação foi constrangedora para todos, principalmente para o sacerdote, o qual rapidamente saiu do recinto deixando os pais chocados e revoltados. Também veiculou pela internet a noticia de um pastor em Vicente Pires que assistia pornografia com crianças, filhas de fieis.

Mas seria os relatos acima citados, casos isolados no seio da Igreja?

Obviamente que não.

A triste verdade é que existem milhares e milhares de pessoas acorrentadas pelas cadeias da pornografia, zoofilia, sexo bizarro e todo tipo de deturpação do sexo criado por Deus. Aqui quero usar uma palavra para definir quem é dependente de pornografia, “pornôgrafomano”. Se tal palavra já existe eu não sei, o que sei é que existe muitas pessoas cativas pela pornografia. Parto do principio que, assim como um toxicômano é um Indivíduo dado ao vicio, ao uso de entorpecentes, um “pornôgrafomano” é alguém viciado em pornografia.

São os “pornôgrafomanos anônimos, pessoas acima de quaisquer suspeitas, são anônimas pelo fato de que quando estão a sós dão vazão ao vicio, e depois caem em profundo sentimento de culpa. Muitos são pastores, padres, leigos, religiosos, advogados, médicos, professores, homens, mulheres, solteiros e casados, idosos, crianças, adolescentes e jovens.

O mercado pornográfico com o advento da internet leva o produto ao quarto do dependente, basta um clique, o primeiro clique, o qual é seguido por outro, outro, outro, e assim vai, horas, tardes, madrugadas… Basta estar só, longe do olhar dos pais, do cônjuge, ou ao lado de um cúmplice. A pornografia reina na grande rede, está ao acesso de quem busca, de quem deseja, de quem quer mais um clique que lhe proporcione prazer vendo o prazer de outros. Prazer que já não permanece prazer, pois virou dependência, doença, mania patológica por parte de quem consome e fonte de lucro por parte de quem prática o sexo para ser exposto, vendido, consumido. Tem para todos os gostos e taras, a vitrine pornográfica é sortida, nela está disponível de tudo, para saciar ou cativar a todas taras, desde, sexo convencional, homossexualismo, pedófila, zoofilia, riparofilia, gerontofilia e todas as parafilias imagináveis ou inimagináveis.

Alguns ainda lutam contra o desejo, outros já não lutam mais. Até mesmo entre casais cristãos a pornografia penetrou, ocorre que, quando não os dois, as vezes um dos cônjuges já não consegue se relacionar sexualmente sem antes se estimular com vídeos e fotos pornográficas. Atualmente com a onda gospel, onde tudo vira gospel, principalmente se der lucro, surgiu também a pornografia gospel.

Veja um trecho da matéria retirada do site Noticias Cristãs: “Segundo informações do blog “Preliminares”, do site Yahoo!Mulher, as cenas dos filmes pornô gospel são feitas por casais. “Todas as obras têm enfoque claro e seguem regras de conduta: os protagonistas dos filmes são casais — marido e mulher mesmo – na vida real, todas as cenas seguem preceitos do sexo cristão — e tem a religião como princípio -, nunca é extraconjugal e práticas como ménage, sadomasoquismo e nudismo (!) são impensáveis”, afirma a blogueira Carol Patrocínio.”

Será que pelo fato de ser um casal realmente casado a exposição de relações sexuais, algo tão intímo e que se torna público, deixa de ser pornográfico e passível de censura e condenação assim como é censurável e condenável na ótica cristã a pornografia tradicional? Ou por ser gospel e entre casais cristãos agora vamos ter que aceitar a idéia de que existe uma pornografia santa? Ou como diria o Robin: Santa Pornografia Batman!! Pornografia gospel… Quem diria??? Fica o espanto… Ficam as perguntas… E também o silêncio da Igreja.

Independente de trazer o selo gospel ou não, eu penso que pornografia vicia tanto quanto qualquer outra coisa que traz prazer. A Igreja parece não saber lidar com isso e faz de conta que o problema não existe. E assim muitos clérigos e leigos seguem cativos, mantendo uma vida oculta, carregada de culpas, mascaras, escapadas, altas madrugadas, infidelidade online que mais cedo ou mais tarde se concretiza na vida real.

Mas o que fazer? Como deve um cristão agir ao encontrar-se enlaçado pela pornografia?

Antes de mais nada, devemos buscar orientação na Palavra, oração, aconselhamento. Sobretudo tomando posse do que a Bíblia nos diz. E ela nos assegura no Evangelho de Cristo: “se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). Sabendo que somos livres, entendemos que podemos escolher, e escolher é poder dizer, sim ou não. Liberdade aponta para responsabilidade e Paulo em Romanos 6.10-13 nos chama a ela deixando bem claro que na luta contra o pecado devemos fazer a nossa parte: “Porque morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; mas vivendo, vive para Deus. Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a ele, como instrumentos de justiça.”

A orientação bíblica é para fugir do perigo, não brincar com aquilo que nos atrai, que oferece prazer, mas produz escravidão, conforme a parte A do versículo 16:“Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem”. Tudo que oferece prazer, mas após si traz culpa, dependência, vazio, não é prazer, mas sim uma propaganda enganosa oferecendo uma falsa felicidade.

Quem é dependente de qualquer vício, sejam pornografia, entorpecentes, ou quaisquer outras substancias; situação ou prática, e porventura tenha caído não se deixe vencer pelo desespero, não desista de continuar lutando, recomece a luta, persevere, mire-se na misericórdia e na graça de DEUS. Pois há esperança para o caído, pois assim diz a Palavra: Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 João 1:9). Sim, o perdão existe para o culpado, assim como a graça de Deus existe para quem caiu em desgraça, mas arrependido, confessa e deixa, pois deseja se levantar.

Sim. Em Cristo Jesus temos o perdão para o pecado, e pelo poder do Espírito Santo a graça nos possibilita dizer não, eu sou livre e por hoje não vou mais clicar. Sim, nós podemos, pois Cristo Jesus já nos libertou, agora nos cabe dia a dia, um dia por vez vivermos livres, reconhecendo nossa fraqueza e fugindo sempre da aparência do mal aparentado de prazer.

O pecado é o único inimigo o qual não se vence enfrentando, mas fugindo dele. Enfrentar o pecado é colher o mesmo resultado obtido por alguém que se lança no fogo. O primeiro passo para vencer o pecado é reconhecer que somos sujeitos a queda, saber o que nos atrai e fugirmos. Você conhece a parábola do Joãozinho? Não? Então vamos lá, vou partilhá-la contigo. Certa manhã enquanto tomava café, Joãozinho disse para sua mãe. – Mãe noite passada eu cai da cama. Ao que sua mãe reagindo perguntou: – Mas por qual motivo você caiu da cama? Joãozinho respondeu: – Eu deitei muito na beirada, aceitei correr o risco e por isso cai. Entendestes a parábola do Joãozinho? Então, não brinque com aquilo que te atrai, não trilhe ou se deite a beira do abismo e assim poderá evitar a queda.

Faça sua parte, não se isole. Não seja um pornôgrafomano anônimo, procure o seu pastor, o seu bispo, o seu superior. Só a abertura do coração, pode abrir tais algemas. Só uma corrente de misericórdia e ajuda mutua pode romper os elos da escravidão.

Pornografia. Evite o primeiro clique.

E também conte comigo.

Rev. José do Carmo da Silva. przedocarmo@gmail.com

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