Um bate-papo direto e reto sobre: William Joseph Seymour, um dos Tais. Um tributo ao pai do Pentecostalismo Clássico

Publicado: 29/04/2010 em Artigos, BlogBlogs.Com.Br, Pneumatologia, Teologia, Uncategorized
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032_early_ldrs_azusaNa História da Igreja Cristã fulguram inúmeras obras sobre a vida de grandes homens que sob o poder do Espírito influenciaram o rumo da Igreja de Cristo. É muito fácil de achar nas livrarias ou mesmo na internet livros, revistas, filmes, documentários e etc., sobre Lutero, Calvino, João Wesley e tantos outros reformadores ou santos cristãos que se destacaram em suas épocas e deixaram suas contribuições ao cristianismo moderno. São os “tais” que deixaram marcas profundas na vida de milhares de pessoas.

O_PENT~1Nestes 100 anos das Assembleias de Deus no Brasil, muito se tem falado sobre Gunnar Vingren e Daniel Berg, mas pouco ou quase nada se fala sobre o verdadeiro pai do Pentecostalismo Clássico. Diante disso quero trazer a memória do povo cristão um pouco sobre Seymour, que com certeza também é “um dos tais”!

Mas o que falar de Seymour? Quem é esse tal?

Ou para ser mais especifico, o que dizer sobre: William Joseph Seymour? (Centerville, Louisiana, 2 de Maio de 1870 a 28 de Setembro de 1922)

O tal pai do Pentecostalismo Clássico era negro… Pobre… Neto de escravos… Cego de um olho e cristão.

Sim, diferente de muitos Heróis da Fé cristã, que eram doutores em teologia, sacerdotes, mestres… Seymor possuía as características supracitadas. E para seu tempo, salvo o ser cristão, as demais características eram estigmas que o deixavam a margem da sociedade.

Mas, atualmente se sabe que ele foi muito mais do que o acima descrito. Seymour era cego de um olho, mas queria enxergar e enxergou pelo Espírito. Sim, ele teve visões de uma Igreja movida pelo Espírito, livre da segregação racial, onde negros e brancos cultuavam juntos, e mulheres tiveram espaço para pregar, ensinar, fazendo assim uso da unidade e igualdade que há em Cristo Jesus.

Era neto de escravos, nascido livre, mas pelo Espírito quis e viveu livre no espírito, mesmo vivendo em meio a segregação racial norte-americana.

Era pobre materialmente, mas veio a ser locupleto por Aquele que o mundo não pode receber, o Espírito Santo de Deus.

O afro-americano, neto de escravos católicos, ex – garçon que freqüentava a Igreja Metodista Episcopal, uma igreja predominantemente negra, possuía sede de aprender sobre o Espírito Santo. E na busca de saciar sua sede Em 1905, mudou-se para Houston, passando a freqüentar a recém-formada escola bíblica de Charles Fox Parham. Mas, por ser negro, na escola formada por brancos, ele não podia entrar, ficava sentado em uma cadeira colocada no corredor. Seymour na escola de Parhan não entrou, mas literalmente aprendeu da banda de fora. Segundo alguns historiadores, Parham, atualmente conhecido como o pai do avivamento pentecostal clássico, era um ex-pastor metodista, racista, membro da Ku-Klux-Klan e dado a práticas homossexuais.

Mesmo ouvindo da banda de fora, Seymour aprendeu a letra das Escrituras e com sede de Deus, buscou e recebeu o poder do Espírito Santo. E sob o mover pentecostal, o negro cego orou, clamou, dançou, profetizou e em línguas estranhas falou.

O que se pode falar sobre William Joseph Seymour, é que, seu movimento naqueles dias tido como “estranho” e até mesmo como: “o ultimo vômito do diabo”, permitiu aos crentes o falar em línguas estranhas, crendo e orando por milagres num tempo em que o “Cessacionismo” predominava, e os dons extraordinários do Espírito eram coisas tidas como restritas a era apostólica.

Seymour foi o instrumento de Deus, pelo qual também tornou possível, ainda que por curtos três anos, a convivência entre negros, brancos, hispânicos, homens e mulheres, cinqüenta anos antes da aprovação dos direitos civis nos EUA. Seymour, em seu movimento abriu amplo espaço para a participação e liderança feminina. Tamanha ousadia inclusiva e os estranhos acontecimentos ocorridos em suas reuniões chamaram a atenção da imprensa. Um grande jornal de Los Angeles enviou um repórter que diante dos fenômenos que ocorriam nos cultos escreveu um artigo com o título: “Estranha Babel de Línguas”, com isso, ao querer ridicularizar os acontecimentos, o jornal acabou divulgando o Movimento, atraindo mais e mais a atenção das pessoas.

Naquele antigo templo da Igreja Metodista Africana em Los Angeles, localizado na Azusa Street (Rua Azusa) no. 312, a “Babel” que os jornais anunciavam e que os protestantes escolados não entendiam e por isso “satanizavam’, aconteciam manifestações do Espírito Santo que se fazem sentir até em nossos dias. Se bem que ate os dias de hoje, a “satanização” ainda existe por parte de muitos que com olhares preconceituosos rechaçam todo o Movimento Pentecostal.

Hoje quase 600 milhões de pessoas no mundo são cristãos, graças ao poder do Espírito Santo que usou de um homem negro, cego de um olho para trazer a lume o Movimento Pentecostal. Reconhecendo ou não, gostando ou não, mesmo as Igrejas chamadas Históricas, tais como: Metodista, Presbiteriana e até mesmo a Igreja Católica Apostólica Romana têm sido direta ou indiretamente influenciadas pelo legado de Seymour. Pois da fonte pentecostal “seymouriana” bebem de carismáticos a avivados, da católica romana Canção Nova aos Batistas e Presbiterianos renovados.

Neste ano em que esta em curso as comemorações do Centenário das Assembléias de Deus no Brasil, lembrei-me das origens do pentecostalismo e da contribuição de pessoas negras, sendo homens e mulheres marginalizadas, como Saymour e outros/as e não quis deixar passar em branco, escrevendo assim algo sobre o assunto. Lembrando que, muitos pentecostais no Brasil desconhecem a história de Seymour, a “loucura” que Deus há 104 anos escolheu usar para confundir a muitos sábios arrogantes e eruditos dentro do protestantismo histórico e evangelical daquela e da época atual.

Pouca coisa existe escrita sobre Saymour, mas pelo pouco que passou a história, e pelo muito que o movimento dele tem gerado, digo: louvado seja Deus, porque há 104 anos, no ano de 1906 assim como diz em sua Palavra, Ele decidiu escolher as coisas loucas para confundir as sábias!

Parabéns Igreja de Deus em Cristo por ter dado seqüência ao legado de Saymour! Ainda que muito pouco tenha sido escrito sobre ele. Parabéns, Assembléias de Deus no Brasil e no mundo, por serem frutos do labor, sofrimento, perseguições que Seymour e os/as marginalizados/as de Azuza sofreram. Muitos pentecostais foram severamente perseguidos, por não crerem igual e nem se encaixarem no modus orandis, cultuandis e operandis das Igrejas Protestantes Históricas.

Apesar de mais de cem anos de existência e de ser a terceira maior força cristã, se equiparando, e, em certos lugares até superando o protestantismo e o catolicismo, muitas denominações ou pessoas dentro delas ainda desconsideram o Pentecostalismo Clássico. Contudo, apesar dos erros, exageros, ou mesmo ensinos distorcidos de alguns líderes ou grupos, os frutos desse centenário Movimento legitimamente cristão estão ai para quem quiser ver. São centenas de milhares de pentecostais espalhados pelo mundo. Embora o catolicismo ainda seja majoritário no Brasil, segundo estatísticas, os pentecostais somado aos neopentecostais somam 24 milhões de fieis.

As Assembléias de Deus que estão em plena comemoração de seu Centenário ao lado da CCB – Congregação Cristã no Brasil fulguram dentre as pentecostais clássicas como as que possuem maior número de fieis. E as que mais crescem, tais como a Mundial do Poder de Deus, são de linhas neopentecostais, igrejas que trazem algumas características do Pentecostalismo clássico, contudo são em muito divergente dele.

Parabéns a todas as Igrejas Históricas, que souberam se abrir ao mover e experiência com o Espírito Santo, o qual é como o vento que sopra onde quer. E assim como em Jerusalém no dia de Pentecostes. Em Aldergaste Street – Londres, no dia 24 de maio de 1738. E em Los Angeles na Rua Azuza 312 em 1906; Ele quer hodiernamente soprar onde houver um coração, uma comunidade, uma denominação sedenta por viver um novo pentecostes, livre da poeira do tradicionalismo, da religiosidade meramente ritualística, da ortodoxia divorciada da ortopraxia. Sim, o sopro do Paracleto remove a poeira que ao longo dos anos se acumula na vida de pessoas e igrejas, engessando-as, tornando-as pesadas com aparência de vivas, mas mortas interiormente.

Seu Hálito traz brilho, traz frescor de vida, traz esperança, desejo de santificar-se e santificar o Nome de Deus na terra assim como ele o é nos céus. Sua impetuosidade lança fora o medo e dá intrepidez para que o Caminho, a Verdade e a Vida seja apontados e oferecidos ao mundo.

Ele age como o Fogo. E sua especialidade é queimar o comodismo, a religiosidade mórbida, a indiferença diante dos milhares que vivem sem Cristo. Suas chamas incendeiam a alma daqueles que o buscam, seu calor faz com que os desejosos por uma experiência com Ele sintam seus corações estranhamente aquecidos, tendo convicção de perdão recebido e certeza do chamado para reformar a nação, a Igreja e espalhar a santidade bíblica sobre a terra.

Ele também é como uma inesgotável Fonte de água viva, e aquele que ousar beber de suas águas receberá vida no espírito, será movido pelo desejo de ver almas se rendendo ao senhorio de Cristo. A essa Fonte pública de renovação das forças espirituais, homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, negros, brancos e amarelos, ricos, pobres e mendigos, sábios e analfabetos, católicos, evangélicos e protestantes podem se achegar e beber de acordo com a intensidade da sede que tiverem. Sim, a Fonte é pública! Ela é de Graça, as únicas exigências para dela se beber são: ter sede, se aproximar dela, sorver de suas águas cristalinas e depois ir ao povo.

O Espírito Santo é dom dado por Deus a todo que crê e com fé o pede ao Pai no nome de Jesus: “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc 11:9-13).

A promessa não é só para quem é adepto do Movimento ou Igrejas Pentecostais, pois o Espírito Santo, seu dom e fruto são para todos que foram chamados a Igreja do Senhor: Pois, como diz as Escrituras: Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos, e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. Atos 2:39.

Olhando para as promessas das Escrituras, os grandes avivamentos da História da Igreja, e para a Grande Comissão nos dada por Cristo, resta-nos clamarmos como o profeta: “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no decorrer dos anos, faze-a conhecida” Habacuque 3:1.

Oremos: Vinde ó Espírito, Espírito, vinde sobre nós, desça como fogo queimando nossa frieza espiritual. Vem como em pentecostes, como vento impetuoso e enche-nos de novo. Encha a tua Igreja, renove o vigor espiritual do Povo chamado Metodista. Sacuda desde os alicerces até a cúpula episcopal. Sim Senhor olhando para nossas origens, nos damos conta de o quanto nos distanciamos da Fonte de Água viva onde fomos gerados. Sim Senhor, dentro desse povo chamado por ti para reformar a nação, a Igreja e espalhar a santidade bíblica sobre a terra, eu quero ser “um dos tais”. Eu quero ser cheio, plenificado por teu Espírito Santo para que eu possa cumprir o ministério para o qual me chamaste. Nestes dias, usa-me, assim, como usastes teus discípulos em Jerusalém, assim como usaste a Wesley e o Povo chamado Metodista, assim como levantaste e usaste a William Seymour, usa-me nestes dias. Levanta um povo forte, destemido, cheio da graça e do poder de teu Espírito, de forma que a sociedade vendo os frutos de cada membro da sua Igreja em solo brasileiro possa espantada exclamar: certamente esse metodista é um dos tais! Amém!

Seimour, com certeza era um dos tais. Sim um dos tais.

Um dos tais. Um dos tais.Podes tu também dizer: “Sou um dos tais”?
Um dos tais, um dos tais.
Podes tu também dizer: “Sou um dos tais”?
No Cenáculo reunidos,
O poder buscavam então,

Pelo amor de Deus unidos
A clamar em oração;
Eis que um vento é descido
E o fogo do céu cai;
Podes tu dizer também:
“Sou um dos tais”?

Pr. José do Carmo da Silva (Zé do Egito, um dos tais.)
Clique aqui e acesse o vídeo sobre os 100 anos do avivamento da Rua Azuza.

comentários
  1. Mario disse:

    Graça e paz!

    Quando Charles Fox Parham caiu na boca do povo devido suas ligações com a Ku Klux Klan e escandalos sexuais, incrivelmente, num país em que imperava o segregacionismo racial, e violência contra negros, esse negro, neto de escravos e cego de um olho passou a ser o “guia” espiritual dos membros da igreja de Parham, com isso aconteceu o que parecia ser impossivel naquela época, ou seja, um negro tornar se lider tanto de negros quanto brancos. E graças ao bom Deus, este movimento espalhou-se pelo mundo, desembarcando em 1909 na Argentina, em 1910 no Paraná e 1911 em Belém do Pará.

    Fique na paz e no amor de Deus!

    Mario

  2. dariozabura disse:

    eu profetizo este avivamento para a Africa, Mocambique em particular

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