Uma pseudo análise “caiofabiana” como resposta a questão: “Por que o frango atravessou a rua?”

Publicado: 29/04/2010 em Artigos, BlogBlogs.Com.Br, Cronicas Cristãs, Uncategorized
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Tenho pedido a Deus que me de a graça de anunciar e denunciar com graça, portanto a entrevista abaixo embora seja uma sátira, nas entrelinhas dela encontram-se aquilo que certa vez disse Charles Chaplin: “Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria. E neste espírito “charleschapliano” que neste post, abordarei a “questão homossexual e homossexualidade”.

Penso que criticar com graça é uma arte, e a arte esta em fazer graça criticando, mas sem menosprezar ou subestimar a inteligência do/a leitor/a. Então neste espírito da graça que alimenta a arte e a arte que emana da graça, vamos à pseudo-entrevista. Nela misturo humor com realidade a fim de mostrar como a Igreja muitas vezes reage repulsivamente ao homossexual, por não saber separá-lo do homossexualismo. Para tanto teci a questão num enredo onde respeitosamente simulo uma entrevista com o Reverendo Caio Fábio que tenta desvendar o “enigma do frango que atravessou a rua.” Você se surpreenderá com a eloqüência e elucubrações das respostas deste pensador cristão da atualidade. “Ficará mais surpreso ainda ao saber a resposta ao: ‘‘Enigma do Frango”.

ZÉ DO EGITO: – Reverendo Caio Fábio, bom dia! É um prazer entrevistá-lo, podendo ouvir, aprender e refletir junto contigo sobre esta pergunta que não quer calar: por que o frango atravessou a rua?

CAIO FÁBIO: – Zé do Egito, bom dia! O prazer é meu, mas penso que você na realidade veio aqui querendo me perguntar: “Por que a esposa de Potifar tentou te agarrar?” Mas, eu sei que estas questões ainda são muito fortes para você as encarar, então fugindo de seu conflito “esposapotifariano” você vem aqui para me perguntar: “Por que o frango atravessou a rua?”
Enquanto você não expõe a questão latente no seu subconsciente “zeegitano interno”, vamos a sua pergunta aparente: “Por que o frango atravessou a rua?”

Ele atravessou a rua por vontade de ser livre! Pois na verdade ele era frango por fora e franga por dentro! Este frango estava à procura da morte quando achou a vida, não a vida que ele queria para ele, mas a vida que a igreja dita “evangélica” empurrou no papo dele! Uma vida pior do que a morte!

A história deste frango é a história de muitos nas igrejas evangélicas! Ouço falar deste frango deste que estava em Manaus. É fácil falar que ele atravessou a rua! Mas, será que alguém, já parou para pensar que ele só atravessou a rua, porque onde ele estava não havia aceitação dele por parte da comunidade na qual ele quis se juntar!
Muitos emails me são enviados, me perguntando: Caio, porque o Frango atravessou a rua? Eu não tenho respostas para questão tão complexa, mas creio que ele travessou a rua, porque algo lhe estava atravessado na alma! Mas isto se deve a uma força interna, retida nele deste o tempo que ele ainda era um pintainho! A mãe dele, só colocou um ovo. Sim, este frango que atravessou a rua, era ovo único! Mas, a mãe dele, sonhava, esperava, idealizava uma franguinha. Ela queria uma filha. Ai nasceu o frango, e ela transferiu para ele toda a frustração dela, criou o como se fosse franga! Era ela mãe super – protetora, que o cobria de mimos, embora ele tenha nascido frango, ela se fez cega para este detalhe e passou a tratar-lhe como se franga fosse.

O drama “frangolônico” começou na infância dele, mas atingiu o apogeu na juventude. Na realidade o ato atravessesco de rua realizado pelo Frango, que em homenagem aos gaúchos, aqui vou chamar de Galdério, se explica lacanianamente no pressuposto de que todo delírio do frango foi um fenômeno elementar contínuo e possuidor da mesma causalidade; e o momento fecundo dos empuxos ao delírio traduz a reiteração desses fenômenos, interativos que envolvem a mãe do Galdério, sua tia a franga Mafalda, seu tio João Galo e como grande vilã, a Igreja Evangélica, maior responsável pelo “embibamento” total do autor da travessia. Minha resposta ao: Drama do frango, parte do eixo alucinação-interpretação, e explica a significação da significação aplicada às intuições delirante e ululante que propõe pensá-las a partir da metáfora: “Por que o frango atravessou a rua?”
A travessia da rua, nada mais foi do que o reflexo explosivo do desejo há muito contido no coração daquele frangote, que desejava atravessar ao menos o quintal, mas a mãe sempre lhe tolhia a liberdade!

Quando sua consciência “galoexistencialista” estava em formação, em meio à dúvida do ser ou não ser? Sem saber se era franguinho ou franguinha? Se, cantava ou cacarejava de madrugada? Perturbado constantemente pelos franguinhos do quintal que chamavam o de “biba”, frango Galdério vivia uma crise existencial que nem Freud explica melhor! A existência de Galdério foi urdida tal qual trama de deuses gregos para ferrar os homens, os quais na qualidade e carnal realidade de homens, jamais chegariam a semideuses, sem antes se humilharem diante do panteão de divindades nas quais eles próprios enxergavam a si mesmos.

Nesta trama urdida com teias de rejeição, sedução, preconceito e conflito interior com manifestações no exterior, o frango Galdério foi envolvido por aves do convívio “quintalesco” dele! A começar, por seu tio João Galo, por quem frango Galdério nutria grande admiração, por ser ele a figura paterna mais próxima que possuía. Ele adorava ver o João Galo correndo atrás das galinhas. Ele queria ser igual a ele, mas por mais que tentava, se tornava mais e mais parecido com sua tia franga Mafalda, adquirindo assim trejeitos femininos.

Numa tarde de quarta-feira, pouco antes do sol se por, quando percebeu que sua mãe, a qual nunca o deixava atravessar o quintal não estava por perto, ele saiu em disparada correndo, buscando o outro lado do terreiro, procurando emoções que nunca tinha sentido, querendo ver o que havia do outro lado de lá. Mas, seu jeito de correr era efeminado, pois sua mãe o tornou um frango com características de franga. Então, seu tio João Galo, o rei do galinheiro, ficou apaixonado, quando viu aquela carreira “galesca corceana” diferente, saiu em disparada correndo atrás dele. Frango Galdério já exausto chegou ao outro lado do quintal, cansado, arfando, língua de fora do bico, pernas bambas, caiu com o papo por terra baixando a guarda… Ai seu tio João Galo, com um sorriso malicioso no bico, impiedosamente abusou dele!

A atitude abusiva de João Galo, fez vir um crepúsculo sobre a vida do jovem frango Galdério, que jazia ali no chão, violentado no seu íntimo, a vista das galinhas, porcos, vacas, perus, patos, cachorros e demais animálias que habitavam o sítio “Ranca toco”. Contudo, frango Galdério estranhamente não conseguia odiar João Galo, mas nutria por ele um sentimento de atração e repulsa de querer e não querer…

O tempo passava, e o jovem frango carregava seu fardo! Agora era constantemente assediado por seu tio João Galo, que vivia a lhe enviar presentes e proteger dos outros franguinhos que constantemente lhe humilhava. A constante proteção e presença de seu tio, o confundia mais ainda, mergulhado num mar de dúvidas começou a pensar em se converter para por fim aqueles sentimentos que a cada dia o dominava mais e mais. O jovem frango queria dar um fim ao seu drama, pois ele sabia que tinha nascido frango, embora sua mãe tenha entronizada uma franga dentro dele, pela maneira que o criou, pois moldou nele a filha que queria ter tido.

Naquela manhã, o pobre jovem frango, em meio a suas crises, resolveu sair em busca de ajuda. Chegou a uma igreja chamada Comunidade Canta Galo. Mas, ao chegar à porta, o galo porteiro disse a ele: – Sinto muito, mas aqui é só para galos machos, não aceitamos aves como você aqui. O nome da Igreja é Canta Galo, e não Cacareja Galinha! Alguns franguinhos jovens que estavam ali começaram a rir dele, fazendo troça… Nesse exato momento de constrangimento, preconceito e rejeição fora que ele tomou a decisão de atravessar a rua.

Contudo, a verdadeira intenção dele, não era de simplesmente atravessar a rua! A intenção dele era de cometer um suicídio. Mas, ele não conseguiu, pois ao pisar na malha asfáltica, uns carros com bandeirolas com as cores do Arco – íris, e um bando de gente cantando e dançando pararam, todos ficaram abismados ao verem aquele frango com porte de franga, galantemente atravessando a rua… Pé por pé… Passo a passo! Diante de tal espetáculo, todos o aplaudiram. Então ali no centro da via, embaixo de aplausos, ovacionado aos sons de assovios e gritos de, poderosaaa! Lindaaaaaaaaaaa! frango Galdério se reencontrou consigo mesmo ou mesma. Ele decidiu que não era mais o mesmo, mas sim a mesma! Assumiu aquilo contra o qual lutava, e sem pena de si mesmo não mais se importando com o que iriam dizer, soltou a franga! Assumindo de vez que era um verdadeiro GAYderio.

E ao olhar para a outra a outra margem, quem ele vê a esperá-lo? Seu tio, o João Galo, com toda a sua sanha de corruptor de menores! Gaydério olhou naquele rosto galesco, e novamente enxergou o mesmo sorriso que vira em um relance naquela tarde de quarta-feira quando João corria atrás dele. Continuando a caminhada, ao completar a travessia, chegando ao outro lado, caiu de vez nas asas de seu tio João Galo. E então o sol que outrora havia se posto de forma forçada naquela primeira tentativa de atravessar o quintal, agora brilhou efusivamente de forma deliberada e consciente na vida do agora assumido frango Gaydério!

Após uma rápida troca de olhar entraram na Igreja AGALANTO, uma igreja de orientação para aves gays e com as bênçãos do pastor Marcos Galostones, casaram e viveram felizes até o final de semana, pois o dono do sítio onde viviam, resolveu servir-se deles para fazer uma galinhada.

Zé do Egito, concluo afirmando que: a travessia da rua, pelo Frango teve suas razões, assim como a homossexualidade também tem suas razões. E a Igreja por não saber identificar, acolher, amar e oferecer oportunidade de superação do problema, para aqueles que têm isso como um problema e por isso buscam ajuda  nela, muitas vezes os empurra para a outra margem de lá, nos braços de grupos tão extremistas quanto os da margem de cá.

Nele, em quem há graça e libertação!

comentários
  1. João Eduardo disse:

    Cara parabéns, você é muito bom!!!

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