Sobre: Caminhadas, Tereré e Pessoas.

Publicado: 01/10/2008 em Artigos
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“Deus faz que o solitário more em família;” (Sal 68.6a)

Muitos dos meus artigos e até mesmo sermões, são frutos de conversas que tenho com amigos. Penso que, amigos são pessoas que no cotidiano sempre nos acrescentam algo. Tenho um amigo, o qual é para mim mais que um amigo, é um verdadeiro irmão. Houve um tempo no qual eu e esse meu amigo de fé e irmão camarada, caminhávamos pela manha. Embora naquele período, mesmo gostando de teologia, não eramos teólogos de fato, contudo, a partir das 6 horas da manha, eu e meu amigo saíamos para aquilo que poderíamos chamar de: “caminhadas teológicas marginais”.
Hodiernamente na Faculdade de Teologia, tenho aprendido que teólogos são aqueles que se debruçam sobre questões relacionadas com a fé, e como por meio de sua fé, pessoas humanas se relacionam com Deus, Pessoa Divina que se revela. Diante de tal definição concluo então que, eu e meu amigo, éramos e ainda somos teólogos marginais. Eramos, pois discutíamos sobre questões relativas à fé, porém não de forma sistematizada, faltando formação acadêmica. Somos, pois para mim ainda resta um ano para a conclusão do Curso Teológico Pastoral, e o Sidney, embora já sentindo a chamada vocacional para o ministério, ainda se prepara para iniciar seus estudos na área teológica.

Como teólogos marginais, em nossas caminhadas matinais, nós dialogávamos sobre diversas coisas relativas à fé, a Igreja e o mundo. Coisas que nos edificavam mutuamente. Nossos assuntos eram ricamente ecléticos, pois falávamos sobre tudo: Cristianismo, Judaísmo, Budismo, Islamismo e outras religiões. Sobre músicas, poesias e canções.

No campo da fé Cristã, comentávamos sobre os gigantes da antiguidade: <i>Santo Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, João Wesley</i>. Discutíamos sobre o legado destes homens, verdadeiros faróis, que acesos no passado, ainda no presente refletem as luzes que receberam do Senhor, podendo guiar a Igreja Reformada, mas sempre reformanda.

Sobre luzes da atualidade, falávamos sobre os bons livros e pregações de nossos referencias no campo teológico contemporâneo, faróis como: Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz, Ricardo Gondim, Elienai Cabral Junior, Caio Fábio, Neil Barreto e Leonardo Boff.

Entre às certezas e certas incertezas da fé, nós analisávamos nossa caminhada cristã, e muitas vezes assemelhávamo-nos aos discípulos no caminho de Emaús, porém tínhamos a clara certeza que Cristo caminhava conosco. Não que Cristo precisasse também perder peso como nós, mas conosco seguia para dar o leve peso de sua graça a nossas caminhadas e inspirações a nossas prosas. Eu, de minha parte confesso que muitas vezes naquelas saudosas e saudáveis caminhadas, a graça de Deus fluente no bate-papo cotidiano com o Sidney me fazia arder o coração.

O tempo passou e por questões profissionais, deixamos as caminhadas matinais, mas não perdemos a comunhão, pois, às vezes nos encontramos, e os assuntos ainda são os mesmos, continuando mutua e igualmente edificantes. Agora enriquecido pela presença de outro amigo, o Edson, o qual eu costumo chamar de: “Edson o Pensador”. Edson é um cara muito inteligente, amante da livre filosofia, fã incondicional do cantor Raul Santos Seixas, e da trilogia Matrix. O Pensador, não se define como cristão, mas como simpatizante, ele participa e enriquece nossos bate-papos, mesmo quando questiona alguns erros da Igreja Medieval e a falta de ética de alguns cristãos hodiernos.
Nossas conferências tererélogicas acontecem na casa do Sidney, sempre ao acaso, nunca com hora marcada, mas sempre marcado por um bom “Tereré”, que as filhas deles são PHDs em preparar. O “Tereré” é uma bebida típica aqui do Mato Grosso do Sul, semelhante ao fervente chimarrão do Rio Grande do Sul, porém gelada. Ela é saborosa, porém todos que a apreciam, sabem que Tereré, só é bom quando dois ou três estão reunidos, pode-se até tomar sozinho, mas não é igual, pois o que dá melhor sabor ao Tereré são pessoas. Tendo pessoas, basta uma jarra de água bem gelada, na qual alguns adicionam limão, uma cuia ou um copo com uma boa erva, e alguém disposto a servir. Faz-se uma rodinha, puxa-se um assunto, e partilha-se a vida e o Tereré.
Penso que Jesus e os discípulos tomavam Tereré. Imaginemos a cena, voltemos a dois mil anos no tempo, onde depois de terem realizados muitas curas e libertações, tomados pelo cansaço, de pé a beira do mar da Galiléia, um dos discípulos disse a Jesus: Mestre, que calor escaldante, faça alguma coisa ou vamos todos perecer!

Jesus disse: – Também tenho sede. O que querem que eu vos faça?

Bartolomeu sugeriu: – Que tal um Tereré?

Jesus pergunta: – O que tens?

Filipe responde: – Uma cuia feita com um pedaço de shofar, mas de onde virá a erva e a bomba?

Jesus, fitando Filipe nos olhos diz: – Tudo é possível ao que crê.

Tadeu interveio: – Para Deus, não existe nada impossível, pois pode trazer à existência as coisas que não existem.

João o discípulo amado acrescenta: – Falta também água gelada, pois a água do mar esta quente.

Jesus curvando-se a margem do mar, recolhe um pouco da água em seu odre, e pondo-se de pé, elevando-o aos céus faz uma oração.

Tiago pergunta: – O que ele esta fazendo?

André responde: – Parece que vai transformar a água quente em água gelada.

Tomé diz: – Se eu não pegar essa cuia nas mãos, e não puser o dedo num pouquinho desta água pra ver se está gelada mesmo, de modo nenhum acreditarei.

Mateus pergunta a Tomé: – Qual é mais difícil, transformar água em vinho, como ele fez lá no casamento, ou fazer que água quente se torne gelada?

Simão o Zelote afirmou: – Como não poderia ele, fazer esse prodígio, uma vez que multiplicou até pães e peixes? Para o Mestre nada é impossível.

Jesus mandando que os discípulos se assentassem sobre a relva, após ter dado graças, pegou o odre e a bomba, dando a seus discípulos disse: – Aquele que quiser ser o maior entre vós seja aquele que sirva.

Como Pedro queria ser o maior, acabou sobrando para ele servir o Tereré. Judas Iscariote, que nunca tinha tomado Tereré, tomando e gostando disse admirado: – Que bebida gostosa! Poderia vender por um bom preço, e dar o dinheiro aos pobres. E, ali, naqueles momentos de comunhão, Jesus ensinava aos discípulos, pois uma roda de Tereré é uma roda de partilha.

Voltemos agora a nossa época, onde duas semanas atrás, estava com o Sidney , “tererélogando” sobre outro amigo, o qual estava passando por crises. Este amigo, apesar de muitos adjetivos positivos, possui também uma imensa dificuldade em se relacionar, e devido a isto quase sempre esta rompendo a amizade com alguém. Em meio a nosso bate-papo, o Sidney disse: – Nosso amigo, precisa valorizar as pessoas que o cercam, mais que os bens materiais que possui. E completou com esta frase: “- Pessoas sim são importantes, nada mais o são”. Na hora eu disse a ele: – Hombre de Dios, Isto dá um sermão.

Ponderando sobre a sábia frase de meu amigo, descobri que não existe nada mais importante do que pessoas. E a Bíblia nos mostra isso, desde Genesis até Apocalipse. Na criação vemos que Deus criou todas as coisas e viu que tudo era bom. Mas no sexto dia, após ter criado o homem a sua imagem e semelhança, Ele viu que tudo era muito bom. (Gn 1.31). O que mais me chama atenção em Gênesis, mostrando que realmente o que importa são pessoas, é que Adão estava num lugar paradisíaco, ele dispunha de tudo, estava cercado pela beleza da criação, havia recebido de Deus morada no mais belo jardim já criado. Porém, mesmo em meio a todas as maravilhas ali existentes, mesmo desfrutando da presença de Deus, do contato com divindade, algo faltava para Adão.

Podem me chamar de herege, mas penso que na vida existem momentos que a presença de Deus, nos fortalece, mas não nos basta, pois o homem tem sede e fome do outro, deseja e precisa de alguém que lhe seja igual, e mesmo estando em comunhão com o divino, com o transcendente, precisa e anela pelo humano, por isso pessoas são importantes na comunhão com Deus.
Penso que Adão foi tomado por aquilo que ao ler o capitulo dois de Gênesis, chamo de “solidão no paraíso”. E Deus notou a solidão de Adão, e com amor criou pondo ao lado dele, algo que neste mundo tem a maior importância, criou a mulher, ou seja, criou outra pessoa, estabelecendo ali o relacionamento do humano com o humano. E Adão não mais foi tomado pela síndrome da “solidão no paraíso”, pois agora mantinha comunhão com o divino, mas também se relacionava com o humano, fora dele e semelhante a ele.

A Bíblia Sagrada relata a história de um Deus, que cria e se preocupa com pessoas. E minha leitura bíblica me ensina que: o maior bem que alguém pode possuir é outro alguém. Possuir não como objeto, não como coisa, mas sim como parte integrante de nossas vidas e trajetórias, como o outro que nos completa e acrescenta dando sentido à existência. A vida só vale a pena ser vivida, e só é vida, quando se vive com o outro, pois sem pessoas com quem se relacionar a vida será vazia, sem sentido, sem sabor, poderemos estar cercados de riquezas e todo aparato tecnológico, mas seremos como Adão, solitários, ainda que estejamos no paraíso. A Bíblia diz que Deus faz com que o solitário habite em família: (Salmo 68. 6a).

Somos pessoa somente quando convivemos com pessoas, pois o outro nos completa, nos acrescenta, o outro nos arranca do nosso eu individualista e egoísta é nos transplanta no nós comunitário e altruísta. Pessoas nos tornam gente, no dar e receber da vida, na ofensa e no perdão, no beijo no rosto ou no tapa na face, na alegria do aniversário, ou no choro do velório. Sim, seja nos momentos bons ou maus de nossas vidas, é com pessoas que temos que conviver, e estes momentos, sejam bons ou ruins, só existem por existir o outro. Não existe ganhador sem perdedor. Não há competição sem outro para competir. Alias, já diz o dito comum: “quando um não quer dois não briga.” Olha o outro ai novamente!

Sem o outro para se relacionar, nem que seja para se comparar, julgando-nos melhor ou pior que ele, ou nele se inspirando, indivíduos enlouquecem.

Lembro-me do filme: “O Naufrago” com Ton Hanks, onde ao ficar sozinho isolado numa ilha, para não enlouquecer o personagem interpretado por Ton Hanks criou o “outro” a partir de uma bola de vôlei, a quem chamou de Wilson, ele amou esta pessoa imaginária de forma tão avassaladora a ponto de arriscar a vida e quase morrer por ela. A vida é assim, sem o outro, sem pessoas, nós enlouquecemos.

Deus criou tudo o que existe para o louvor de sua glória, e este louvor lhe é prestado por toda sua criação, mas principalmente pela humanidade e a humanidade compõem-se de pessoas. Deus é Pessoa Espiritual, que entrou na história humana, se fazendo pessoa carnal, é o que nos diz João, no inicio de seu Evangelho: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (Jo1. 14) Penso que ao fazer isto o Verbo Divino, o Cristo Preexistente, valorizou todo gênero humano, valorizou todas as pessoas.

A Bíblia nos mostra que para Deus não existe nada mais importante do que pessoas, tanto que Ele na pessoa de seu filho Jesus Cristo, recusou todas as riquezas do mundo, lhes ofertada por àquele que detesta pessoas: satanás, isso nos mostra Mateus no Cap. 4 de seu Evangelho: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. Todas as investidas do príncipe deste mundo foram no intuito de impedir que Jesus morresse por pessoas, abrindo mão de viver como pessoa dependente do Pai, e agindo como Deus, usando seu poder em beneficio próprio e não de outrem. Jesus de Nazaré recusou tal proposta, pois foi exatamente por causa de pessoas que Ele veio ao mundo, por isto não trocou pessoas por bens materiais, ou pelo poder, pois veio resgatar pessoas, o maior bem que seu Pai já criara. Por valorizar pessoas, em seus dias Jesus de Nazaré confrontou o maior dogma de sua religião judaica: o sábado, declarando a elite religiosa legalista de seu tempo: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). Penso que ao fazer isso Jesus o Rabino marginal, quis nos ensinar que, preceitos religiosos, não são mais importantes que pessoas, e sim o que importa são pessoas, pois elas estão no centro da Missão de Deus, sendo tudo o mais periférico.

Estamos vivendo a era da coisificação do ser humano. Nestes tempos, pessoas são tratadas como coisas, meros objetos descartáveis. Os relacionamentos já não possuem solidez como antigamente. As amizades valem a pena somente quando se pode lucrar com elas. Ninguém se prende a ninguém, entre a juventude vivencia-se a época do ficar, ficar sem compromisso, pois neste tempo se é de todos e a todos se pertence, sem, contudo ser um “ser”, mas sendo objeto de experimento, sendo alguém e sem ser de ninguém. Numa noite nas baladas, pode se beijar muiiiitoooo… E se neste beijar muuuuiiiitooooo… a libido se ascender a balada poderá se prolongar em uma “camada” de motel, ou numa “bancada” do banco traseiro do carro. E se neste libera geral, onde se assassina a fé e a moral, uma vida for gerada, o “acidente” não causará preocupações, pois se pode abortar, afinal em pleno século XXI, ainda se discute se o embrião é pessoa de direito. Mas mesmo que seja considerado pessoa, por ser fruto de uma pós- balada, será: <i>persona non grata,</i> fruto de um relacionamento impessoal, com pessoa que não se sabe qual. Penso que pessoas estão em extinção, não que estejam acabando literalmente, pois o mundo está caminhando para uma explosão populacional, mas por que estão se despersonalizando, individuos existem sem ser pessoas, ou sem se relacionarem com e como pessoas. Os relacionamentos estão cada vez mais on-line, impessoais e despersonalizados.

Assim caminha a humanidade, desumanizando-se, se despersonalizando, num processo autodestrutivo de coisificação, onde mulheres se expõem tal qual carne no açougue, com o propósito de vender cervejas, ou dar lucros para pagodeiros e funkeiros. Mulheres que parecem rasgar a bandeira por igualdade e dignidade, levantada na chamada “revolução feminista”, que justamente defendia ser a mulher pessoa de direitos, digna de viver e ser vista não como objetos de consumo abaixo e a serviço do homem.
Apesar de toda a luta travada, e conquistas obtidas pelas mulheres nos mais variados campos da sociedade moderna, ainda hoje na telinha ou nos palcos, existem aquelas se apresentam numa verdadeira salada de frutas, formada por mulheres que entre ser pessoas e frutas, optaram por serem melancias, moranguinhos e etc.

Existindo ainda as que preferem ser chamadas de “cachorras”, o que não se é de estranhar, pois se a coisa está ruim para pessoas, torna-se normal algumas desejarem ter uma vida de certos cachorros, num país onde existem socialites que fazem suntuosas festas comemorando o aniversário de seus puldols, com muita comida e bebida para cães e humanos da alta sociedade.
Para entrar nestas festas, basta ter grana e ser “cãovidado”, se for pobre e não tiver “cãovite” fica de fora. Tais festas, embora sejam feitas com a grana da minoria de menos de 1% que detêm mais de 50% da riqueza deste país, demonstra a desigualdade social e falta de valorização da pessoa humana. Tais festas são ultrajantes, pois gasta-se dinheiro exageradamente com animais, enquanto milhares de crianças perambulam pelas ruas, dormindo nas calçadas, e se alimentando de sobras. Não pensem que não gosto de animais, pois tenho quatro, três cães e um gato, contudo penso que, festejar suntuosamente aniversários de cães, são caprichos capazes de causar revoltas em pais de famílias, que se desesperam trabalhando de sol a sol, ganhando um salário mínimo, com o qual não conseguem comprar um tênis para seu filho ir à escola, quanto mais fazer – lhe uma festa de aniversário.

Nesta época louca em que pessoas perdem o valor, e que certas mulheres querem ser frutas, ou cachorras, e muita gente deseja ter uma “vida de cão”, o grande cantor da música popular brasileira, Eurípedes Waldick Soriano se não tivesse morrido no ultimo dia 04 do 09 vitima de um câncer, certamente iria mudar a letra de seu maior sucesso, onde cantava: “Eu Não Sou Cachorro, Não”, para: “Eu Sou Cachorro, Sim”.

Em alguns de meus sermões, digo para minha comunidade, que o cristão não pode relacionar-se com o Divino, sem caminhar e valorizar o humano. Tanto que Jesus declarou em Mc 12.30, 31: “Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. Paulo igualmente aos Gálatas declara: Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Gl 05.14).
Não existe relacionamento com a Pessoa Divina, sem relacionamento com pessoas humanas. A ponto de João enfaticamente dizer: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão”. (1Jo 4, 20,21). Como vimos, até para vivermos a fé e demonstrarmos comunhão e amor a Deus, precisamos do outro, precisamos de pessoas, por isso se pessoas não são importantes, nada mais o é. Tão logo entendemos que não poderá ir para o céu, morar com Deus, quem se nega a caminhar com pessoas aqui na terra.

Enfatizo sempre mostrando para uma cruz vazada, existente de trás do altar de minha igreja, que: a haste na vertical é o individuo e Deus, a haste na horizontal: o individuo e o próximo. As duas hastes unidas formam uma única peça, simbolizando a comunhão com o Divino entrelaçada com o humano, unindo vida de comunhão com Deus, que passa pela comunhão com o próximo. A ausência de qualquer uma destas hastes configura-se em qualquer outra coisa, menos cristianismo prático. Não podendo também ser classificado como metodismo, uma vez que Wesley afirmava que a fé cristã genuína se vive no convívio com o outro, em meio a pessoas, pois: “o cristianismo é essencialmente uma religião social, e torná-lo em religião solitária é destruí-lo”. A religião cristã deve religar as pessoas a Deus, unindo-as entre si, levando-as ao cuidado mutuo, entre amigos e familiares, a falta disso segundo Paulo é apostasia: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1Tm 5.8)

Não existe investimento maior do que o investimento feito em pessoas. Tanto que na economia da salvação Deus não poupou nada, e investiu um preço tão alto, que não se pode calcular. Gosto da passagem em Ap 5.9 a 11 na (NTLH) Nova Tradução da Linguagem de Hoje, pois deixa bem claro que um preço de sangue foi pago por Deus, o qual se fez Pessoa plenamente humana, esvaziando-se de sua majestade, vivendo e morrendo como, e em favor de pessoas. “Tu és digno de pegar o livro e de quebrar os selos. Pois foste morto na cruz e, por meio da tua morte, compraste para Deus <b>pessoas</b> de todas as tribos, línguas, nações e raças. Tu fizeste com que essas <b>pessoas</b> fossem um reino de sacerdotes que servem ao nosso Deus; e elas governarão o mundo inteiro.

Você, pessoa que leu esta mensagem, saiba que você é importante, pois eu a escrevi para você, e minha oração é para que Deus permaneça a abençoar sua vida. Desejo que seja sempre uma pessoa feliz, vivendo plenamente sua humanidade, fortalecendo-se na graça que há em Cristo Jesus. E mesmo que o mundo tente coisificar-te, tentando convencê-la do contrario, creia que mesmo com todos os seus erros e defeitos, que te faz pessoa humana, você é um ser, você é alguém muito importante para Deus e para as pessoas que convivem com você. E, sem medo de ser acusado de antropocentrismo, concluo dizendo que: o mundo e tudo nele existente, Deus criou para você, para mim, para nós pessoas humanas, criadas à imagem e semelhança Dele. Por isto, ame a si mesmo como pessoa humana, e ame as pessoas como se não houvesse amanha, pois nossos amanhãs só se tornam relevantes quando neles existem pessoas.

Pr. José do Egito.
Igreja Metodista em Fátima do Sul – MS.

comentários
  1. Pr. Wagner disse:

    Amado, coisa boa te encontrar… virtualmente, mas é um encontro. Estava pesquisando algumas coisas para o boletim e caí no seu blog… Quem diria??
    Amado, um grande abraço!

    • przedoegito disse:

      Amado pastor há quanto tempo? Espero que estejas bem, familiar, ministerial e profissionalmente. Pois é!! Eu gosto de partilhar algumas reflexões, e este é meu espaço, acabei de postar mais um texto, mande-me o endereço de seu blog.

      Amado, fica na paz, e Feliz Páscoa.

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