Saudades do Éden

Publicado: 07/08/2008 em Artigos, Cronicas Cristãs
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Penso que, de todas as respostas para as crises e dramas existências da humanidade, a religião ainda é a melhor resposta. Assim creio, (e ao crer já estou manifestando-me como ser religioso), pois a meu ver a religião nasce do interior do homem, surgindo como uma resposta, para questões antigas e atuais, as quais a ciência não pode e jamais poderá responder. Questões da alma, questões, que acompanham a humanidade desde o seu estado primevo, e que despertaram nela, o buscar fora de si, àquilo que falta em seu interior, ainda que atualmente ela esteja cercada pela tecnologia e os maiores avanços da biologia, que podem adiar, mas não evitar a morte.

Penso que existe uma nostalgia inconsciente, a qual se manifesta de forma religiosa, fragmentos de uma saudade inata do colo do Pai. Religião para mim é o rememorar de lembranças embrionárias da humanidade, presas a alma do individuo, que ligada ao cordão umbilical da sua consciência adâmica, sai de si buscando retomar, certo harmonioso bate papo, que no Éden ocorria na viração do dia, sob frondosas árvores frutíferas, no desfrute de uma vida paradisíaca, onde nos primórdios o divino interagia com o humano.

Penso que, a religião nasceu quando isso se perdeu, e o homem notou que na viração do dia o divino não mais descia não mais bate papo havia. E sentindo se só, vazio, e com saudades do seu Criador, na busca de retomar o diálogo, o homem criou a religião, pois se religião significa religar, ela só pode ter nascido após a separação, a perca da plena comunhão, entre criatura e Criador. Tão logo, penso que religião é um grito inconsciente de uma criatura consciente de que perdeu algo e alguém. Que na noite escura de sua alma geme, enquanto, por meio de seus símbolos sagrados, tenta retomar o contato perdido. Diante de tais símbolos, se prostra, canta, chora e ora, cria rituais, elabora credos, constrói catedrais, escreve poemas, mutila a si mesmo, movida pelo anseio de receber um afago, vindo das mãos Daquele que da matéria barrosa a moldou, com seus dedos delineando sua forma, dando lhe fôlego de vida e capacidade de sonhar. Se religião é sonho, penso que é sonho de voltar para casa, e os símbolos religiosos são setas apontando o caminho.

Religião é para mim ópio, mas não ópio que narcotiza o corpo, mas sim que desprende dele a alma, fazendo-a viajar até o paraíso perdido, onde se encontra com o Ser objeto de seu desejo. Neste sentido, a alma aliena-se do corpo, transferindo-se para o transcendente, onde se agasalhando no útero que a gerou, cria forças para renascer, reinventando-se, tendo assim condições de sobreviver no mundo decaído, para onde após encontrar-se com o sagrado precisa voltar, até que o perfeito venha, ainda que seja nos sonhos, nas ilusões ou fantasias seguintes.

Religião para mim é a manifestação simbólica da fé, sem a qual individuo nem sociedade vivem. Podem se viver sem fé no transcendente, no etéreo, porém não se vive sem fé, ainda que seja em si mesmo, pois religião é viver da fé, mesmo que não se saiba ao certo fé em que, ou em quem.

Mesmo que Feuerbach esteja correto, em seu conceito, e ser religioso seja olhar no espelho, correndo o risco de ter que reconhecer que a religião se baseia no ateísmo, uma vez que do outro lado do espelho, só há o reflexo de quem se olha, reafirmo minha fé, olhando no espelho e mirando a mim mesmo. Afinal, minha religião me diz que sou a imagem e semelhança Daquele que me criou, assim sendo a imagem refletida no espelho, é o “eu” a apontar para “Outro”. A imagem no espelho traz ainda o reflexo da natureza do primeiro Adão, desfigurado pela desobediência, mas não está totalmente deformado, só um pouco distorcido, pela perda da comunhão do Édem, a qual Jesus Cristo o segundo Adão veio restaurar por meio de seu esvaziamento, obediência, morte e ressurreição.

comentários
  1. Hilda de Moraes disse:

    Desculpe mas não concordo com sua análise. Religião é assunto complexo, é terra movediça, mas atualmente (e sempre) serve pra tudo: para se fazer o bem, para se fazer o mal (intolerância), para matar e morrer (os fundamentalistas), para ganhar dinheiro, para ganhar dividendos políticos (vejam os candidatos do “povo de Deus”, para justificar se livrar de culpas, e até para levar pessoas simples, aquelas que não tem como defesa a informação, a morrer pelas doenças físicas e principalmente as mentais. Marx disse: “a religião é o ópio do povo, o suspiro da criatura oprimida”. Eu acrescento: é a muleta, a desculpa. Ele estaria errado? A religião deixa as pessoas melhores? Não. Religião são instituições formadas por seres humanos falhos. O RESPEITAI-VOS uns aos outros, a generosidade, a educação, informação e trabalho, isso não fariam guerras, como a religião faz. Deus não delegou poderes a ninguém.
    Criei 2 filhos sozinha (sou viúva), sem religião, mas cidadãos honrados, integrados à sociedade. Religião em maõs de homens de má-fé se, torna-se arma na guerra contra a realidade e o bom senso, infelizmente.
    Hilda

  2. Pr. José disse:

    Amada Hilda, não são as religiões que fazem isso tudo que você disse, mas sim os homens que fazem a religião, ou se fazem de religiosos. A religião pode servir tanto ao bem como ao mal, tudo depende do coração de quem Ela brota. Se olharmos bem, veremos que a questão de ser bom ou ruim não está no ser ou não ser religioso. Existem e existiram muitos religiosos que honraram os fundamentos e ensinos de sua fé, como existiram e existem muitos outros que não o fizeram. Agora pergunto, foi a religião, ou foram eles, que se passando por religiosos, se locupletaram? Assim como João Tetzel, ao vender indulgências, a mando de Leão X, para construir a catedral de São Pedro. Será que foi a Bíblia? ou foi a Tradição que mandou que Torquemada fizesse tudo o que fez, ou que condenou milhares de pessoas a fogueira nos tribunais da inquisição? não, não foi a Bíblia, nem a tradição crista, mas sim alguns lideres católicos que se dizendo infalíveis mandaram fazer tudo isso. Será que foi o “só a Graça”, o “só a Fé”, o “só as Escrituras”, e o “só Cristo”, que consentiram com o massacre dos camponeses, ou foi o homem Lutero? Será que foi as Escrituras seguidas pelos protestantes calvinistas, que ordenou a morte de Miguel de Servetus, ou foi a interpretação e a influencia de João Calvino junto ao Estado? Será que foi a Bíblia? Não honestamente não foi!!

    Adolfo Hitler, não tinha religião ele dizia: “Deus governa o Céu, e os Arianos governa a terra”, ele mandou matar vários religiosos cristãos e judeus, entre os quais posso citar Dietrich Bonhoeffer ( Breslau, 4 de fevereiro de 1906 – Berlim, 9 de abril de 1945) um teólogo, pastor luterano, membro da resistência anti-nazista alemã, que enfaticamente se opôs ao nazismo, a ponto de juntamente com os cristãos da Igreja Confessional, tramarem a morte do ditador nazista Qual era a religião de Stanlin?

    Minha querida, suporte um pouco mais de minha recusa em aceitar a sua maneira de pensar, embora a respeite. Pois concordo com sua irreligiosidade, tens todo direito de assim ser. Amada ao delongar-me não tenciono move-la de suas convicções irreligiosas, mas tentar mostrar que nem todo pastor é adúltero ou ladrão, nem todo padre é homossexual ou pedófilo, e nem todo rabino num momento de descontrole rouba gravatas caras em paises estrangeiros… Da mesma forma que: nem todo irrreligioso, increu ou atéu é certinho. Só tenciono mostrar com meus parcos argumentos, já conhecidos pela amada, que os extremos são perigosos sempre, e que o equilibrio e aconselhavel em todos os juízos que formamos.. Afim de evitarmos injustiças

    Atrocidades vamos encontrar dentro e fora do campo religioso. Ser ou não ser religioso, de fato não torna a pessoa perfeita, isenta de erros, pois, Jesus falou que é do coração do homem que procedem, os adultérios, homicídios, assassínios…

    Penso que a religião pode melhorar as pessoas sim, porém não as torna isentas de errarem, impecáveis. Fiz durante um bom tempo trabalho com presos, e pessoas que a sociedade queria ver mortas, mas que hoje três, quatro anos depois, são cidadãs de bem, servindo a sociedade, com suas famílias. E essa mudança não se deve a religião cristã, mas a Cristo, e os valores do Evangelho, que quando bem vividos dignificam a religião, e quando deturpados a deforma e corrompe.

    Eu não acho correto, condenar a religião pelos erros de seus representantes que erraram. Seria semelhante a injustiça de condenar todos os alemães, pelos erros de Hitler, seria dizer tendenciosa e preconceituosamente: “Todo alemão é nazista!!”. Seria a mesma loucura que condenar todos os negros pelos erros do ditador Idi Amin Dada, ou condenar a todos os mulçumanos pelos erros de Bin Laden.

    minha amada , a quem respeito a maneira de pensar, mas a quem não posso deixar de expressar o meu pensar discordante ao seu, o qual é: todas as religiões possuem em seu meio o joio e o trigo, convertidos e convencidos, pessoas honestas, e aproveitadoras., maus e bons obreiros…

    Jesus possuía doze discípulos, entre eles houve um que era ladrão, imagine no meio de milhares de cristãos, quantos não há. Agora, qual a religião de muitos políticos, que roubam o povo, muitos deles são católicos em tese, mas na prática são ateus.

    O problema não está na religião, pois se pegarmos os livros destas, principalmente a Bíblia sagrada, veremos que ensinam o bem, o problema está nas interpretações, e ai ocorrem os erros, por parte de alguns interpretes.

    Penso que a religião não é a única resposta para um viver pacifico, ela não é “a” resposta, absolutizada, a ponto de negar outras fontes, ou estilos de vida, que igualmente conferem a pessoa humana, valores éticos e morais, que lhes permitem viver dignamente em sociedade. contudo, por ser um lider cristão, que embora religioso não pregue a letra da religião, mas sim seu espírito que se fundamenta no amor, perdão, tolerancia e justiça social, continuo a pensar que a fé cristã bem interpretada, e vivida segundo o que Jesus ensinou, faz com que a religião cristã genuina, permaneça sendo “uma das” melhores resposta para a angústia de muitos seres humanos. Angústias quanto ao presente, bem como para os que crêem em eternidade sobre o porvir.

    Quando Marx classificou a religião como ópio do povo, creio que estava correto, pois muitas religiões (e a crítica de Marx se dirigia mais especificamente Igreja Cristã), usavam e usam do “escapismo” transferência de responsabilidade, e assim não se preocupam, com a transformação da sociedade, vivendo alienadamente como se já fosse, (se é que chegarão a ser) “celicolas”, ou seja morador dos céus, se esquecendo de serem sal e luz, trabalhando pela transformação da terra, onde milhares sofrem. Hoje toda Igreja Cristã séria, com doutrina e teologia séria, tem sua preocupação com o social, o problema é que a mídia formadora de opiniões, é mestra a mostra os frutos podres de muitas igrejas, o que eu acho que tem que fazer pois obrigação de Cristão é andar certo, mas penso que a mídia se quiser ser realmente imparcial deve dar enfoque igual aos inumeros trabalhos sociais que muitas igrejas cristãs prestam a sociedade.

    Creio que a senhora, com certeza conhece pessoas honestas que vivem corretamente os preceitos dignos da religião que professam, assim como deve conhecer increus que são verdadeiros canalhas. Penso não ser de bom senso, com a água suja da bacia, jogar também a criança fora… Não é honesto um julgamento onde se nivela por baixo, condenado um grupo todo, pelas atitudes de alguns entre eles. Com todo respeito que lhe devo, por ser a favor da livre escolha, penso que a liberdade de expressão é a maior conquista de nossa pátria, e a liberdade religiosa também, e mais ainda a liberdade de poder escolher ser irreligioso. Contudo, sinceramente, saiba que: se a senhora fosse religiosa eu diria que ao condenar todas as religiões pelas coisa ruins, que observastes nos atos dos homens que se diziam religiosos, comete pecado. Mas como se declara uma pessoa irreligiosa, sou forçado a dizer que se torna injusta, anti ética e intolerante, ao condenar todas as religiões pelos erros de alguns de seus componentes.

    Ao agir assim e se acaso põem em prática sua meneira de pensar, por meio de atos, penso que quebra alguns dos preceitos que os irreligiosos dizem substituirem qualquer fundamento religioso, tornando assim os pessoas melhores, as quais não precisam de religião.

    Onlinemente receba de minha parte, um grande beijo, e um abraço maior ainda
    Que Deus a abençoe, hoje e sempre.
    Pr. José do Carmo.

  3. A vós, graça e paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo!

    Estamos visitando o vosso blog, através da Comunidade Nacional de Blogueiros Cristãos – CNBC…
    Deus lhe abençoe e aos seus ricamente…

    Fraternalmente.
    James, CNBC.
    http://www.jesusmaioramor.blogspot.com

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