Credo dos Direitos da Criança

Publicado: 24/05/2008 em Artigos, Cronicas Cristãs
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O Brasil tem acompanhado atonitamente as investigações, que apontam Alexandre Nardoni, juntamente com Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella Nardoni, como principais responsáveis pelo assassinato da menina. O caso chama a atenção, por não ter sido um assassinato comum. Isabella era uma criança indefesa, que segundo o que já foi apurado até aqui pelos peritos, antes de ser covardemente jogada pela janela do apartamento, teria sido espancada. O crime tem gerado comoção pública, pelo fato de que possivelmente a vida de Isabella foi ceifada, por aquele/a que deveria dela cuidar. Dispensando-a: amor, carinho, e acima de tudo proteção.

O crime choca e gera revolta, pois Isabella, foi tomada nos braços, possivelmente pelo pai, não para ser embalada, como um pai faz carinhosamente com um filho/a. Isabella, se acaso foi tomada nos braços pelo pai, foi para ser lançada. Lançada, não como muitos pais, cheios de carinho, jogam para o alto seu rebento, e alegremente nos braços firmes o apara. Isabella, quem sabe, já sem vida, foi lançada para baixo, atravé de um buraco na rede, que lhe deveria trazer segurança. Mas penso que, em vão existem cercas, para nada servem as redes, se quem deveria amar, não cercou os filhos com carinho, enredando os com laços de cuidado e ternura. Em vão existem redes nas janelas, se o amor não edificar a casa. Quando o amor, não está presente, qualquer ato de fúria, qualquer ato de descontrole, são facas e tesouras afiadas, prestes a furar a rede. Restando depois, somente dissimulação, hipocrisia, e por toda uma vida o atormentar da consciência. Digo, que o amor não estava presente neste caso, pois penso que quem ama, não espanca, quem ama, não se omite deixando outro/a espancar. Quem ama, não mata. Mas se matar em um ato de loucura, por um fatal acidente, quem ama então põe de lado as máscaras, derramando lágrimas de real arrependimento, assumindo a culpa e se submetendo ao rigor da lei até as ultimas conseqüencias.

A mídia, principalmente televisiva, tem explorado exaustivamente o caso. Ela forma opiniões, gerando um clamor popular por justiça. Não vou aqui dizer se o pai e a madrasta de Isabela, que já se encontram presos são culpados ou não. Embora todos os indícios, apontem para tal conclusão. Porém, penso que crimes como o que vitimou Isabela acontecem todos os dias, e que este só ganhou destaque e grande cobertura da mídia, por serem pessoas de classe média alta. Não que aconteçam da mesma forma, ou seja, “jogados pela janela”, mas penso que milhares de crianças, todos os dias, são vitimas de maus tratos, que culminam no mesmo fim de Isabela: a morte. Pergunto-me também, se os acusados fossem pobres, será que já não teriam sido presos há mais tempo? Diferentemente do ocorrido com Alexandre e Carolina, que foram presos e depois foram postos em liberdade, até finalmente receberem prisão preventiva.

Acho positiva a cobertura da mídia, vejo positivamente o clamor por justiça por parte da nação brasileira, que se indignaram com o hediondo assassinato de Isabela. Porém, penso que isto deveria ocorrer em uma escala maior, ou seja, que todas as vezes que pessoas cometessem qualquer ato de violência contra a vida, seja de uma criança, um adulto, idoso ou até mesmo contra um animal, deveria a mídia dar amplo destaque na cobertura, das investigações, evitando assim que tais crimes passassem impunes.

Como pastor metodista, em cuja Igreja brasileira existem inumeras crianças, fico pensando na responsabilidade da Igreja Cristã, não só com as crianças de nossas comunidades de fé, mas também diante dos/as menores abandonados/as. Algo me incomoda ao ver que ainda é pouco o que é feito, por parte das Igrejas a nivel nacional e mundial, para extinguir ou mesmo minorar o sofrimento das crianças. Sejam aquelas mal tratadas pelos pais, ou pelo estado. Enoja-me, quando a midia noticia, que lideres religiosos, acobertam casos de pedofilia, simplesmente transferindo o abusador, para outra paróquia, onde certamente ele fará novas vitimas. Ainda se ouve o discurso: “a criança é o futuro do Brasil”, pois bem, penso que, da maneira que elas são tratadas no presente, certamente estamos abortando o futuro.

Assim sendo, fiquei a imaginar, todas as vertentes cristãs, se reunindo em um grande Concilio, de caráter mundial. Onde estivesse presente, a Igreja Cristã do Ocidente, e do Oriente, tendo como pauta do Conclave Ecumênico, não questões, de teologia, cristologia, pneumatologia ou eclesiológicas. Antes a razão do Concílio seria tratar da situação das crianças, fiquei imaginando que a semelhança do que ocorria nos primeiros séculos da Igreja Cristã, após o conclave se produziu o seguinte credo:

Credo dos Direitos da Criança.

Cremos em Deus, Pai todo Poderoso, que dentro da sua soberania, enviou seu Unigênito Filho ao mundo, o qual por intermédio do Espírito Santo encarnou-se no ventre de Maria, fazendo se criança. Cremos que assim Ele Agiu, para mostrar ao mundo que a criança também é importante, por que sem ser criança a vida vazia é, que Ele Jesus Cristo, foi uma criança, que brincou, riu, chorou, crescendo em estatura e graça diante de Deus e dos homens, adquirindo assim conhecimento humano e fé. Cremos que Deus ama tanto, as crianças que de antemão já lhes concedeu o Reino dos Céus, e as coloca como modelo para todos adultos que almejem nele entrar. E decretou que quem quiser ser cidadão do Reino, como criança tem que se tornar. Cremos que Deus ama a todas as crianças, independente, de sua Etnia, Classe Social, e mesmo Religião. Cremos que as crianças Brancas, Negras ou Amarelas, são expressões da multiforme sabedoria Divina que criou a raça humana e viu, que todos seus matizes são belos.

Cremos que toda injustiça, violência e opressão as quais sofrem as crianças, seja no barraco ou na mansão, são crimes contra Deus, que não ficarão sem punição. Cremos que o grito das crianças excluídas que moram e morrem nas ruas, somado aos lamentos e gemidos dos bebês abortados, por serem frutos do adultério, ou fornicação, ou qualquer outro tipo de aborto planejado, bem como da falta de acesso medico ou alimentício as gestantes, unindo–se a agonia de milhares de crianças que após nascerem morrem de fome e sede, vitimas da desnutrição, tem subido a presença do Senhor dos Exércitos, e enchido o cálice de Sua Ira, e o mesmo fará justiça, trazendo juízo aos governantes, Igrejas e demais organizações, que se calaram diante desse infanticídio.

Cremos que o trabalho infantil, a qual muitas são submetidas, nas carvoarias, nos canaviais e sisais, ou mesmo nas suas casas, que lhes privam de estudarem e serem alguém na vida, roubando parte de suas infâncias e abrindo em suas almas feridas, e traumas que as tornam adultos amargos e tristes, bem como a pedofilia e a prostituição infantil, que ocorrem em muitas partes do Brasil, é algo que fere a dignidade humana e o coração de Deus, que incumbiu a Igreja de zelar, amar e acolher os cordeirinhos do rebanho seu.

Cremos que todo aquele que se cala, diante da violência praticada contra as crianças, seja ela no lar, na sociedade ou nas Igrejas, morrendo sem arrependimento será réu do juízo eterno. Cremos que um mundo melhor se construirá amando e educando as crianças dentro dos valores do Evangelho, mostrando a elas o caminho que deverão seguir, preparando-as para a vida, e isto e obrigação dos pais da Igreja e do Estado. Cremos que a vida da criança, do jovem, do adulto e do idoso, deveria ser bem melhor, e isto ocorrerá, a partir do momento que o Evangelho integral for pregado, aceito e praticado, nesse momento então toda injustiça, opressão e corrupção, cessarão e então ao som de júbilos e hinos de louvor, liberdade, igualdade, justiça e paz se abraçarão. Amem!

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