Sua santidade, minha santidade, vossa santidade, nossa santidade…

Publicado: 21/05/2008 em Artigos
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O Brasil e o mundo presenciaram a movimentação da mídia nacional e internacional em torno da presença do papa Bento XVI no Brasil. Esta não foi a primeira vez que um pontificie romano pisou o solo brasileiro, pois, João Paulo II, em seu pontificado aqui fizera quatro visitas: três oficiais em 1980, 1991 e 1997 e, uma não oficial quando estava a caminho da Argentina em 1982.

Contudo a presença de Bento XVI foi marcada por vários fatos novos. Exemplos: Foi a primeira vez que Joseph Ratzinger veio ao Brasil como papa. Foi à primeira vez na história da Igreja Católica Apostólica Romana, que um pontificie se deslocou de Roma para canonizar em seu país de origem um beato. E completando as estréias, pela primeira vez o Brasil tem um representante oficialmente canonizado no panteão de santos/as. Pois, na sexta-feira, dia onze de maio, a partir do ritual celebrado por Bento XVI, o anteriormente beatificado Frei Galvão passou a ser o Santo Frei Galvão. Agora oficialmente o catolicismo brasileiro possui o primeiro santo made – in Brasil. O Brasil ainda é considerado o maior país católico do mundo, situado num continente igualmente de maioria católica, porém é visível à sangria que a Igreja de Roma sofre. O clero católico nacional presencia a queda vertiginosa na quantidade de fieis, que em numero cada vez mais crescente debanda para as novas igrejas neopentecostais. Muitas dessas novas igrejas são adeptas da “Teologia da prosperidade”, através da qual o neopentecostalismo, seduz e faz prosélitos também entre o protestantismo histórico.

A Igreja Metodista é uma denominação histórica, fruto do avivamento ocorrido no século XVIII em solo inglês. Ela possui como patriarcas os irmãos João e Carlos Wesley, que imprimiram ao metodismo uma forte ênfase pela busca da santificação. Devido a isso, o povo metodista, hoje espalhado por quase todo o mundo, representado em inúmeras denominações com raízes wesleyanas, sempre se sentiu chamado por Deus á participar da Missão Dele no propósito de salvar o mundo, espalhando a santidade bíblica sobre a terra.

Como cristão, protestante, e brasileiro, observei todo o aparato em torno da visita do papa e, ao processo de canonização de Frei Galvão. Diante de toda a cobertura da mídia, e o amplo espaço que o catolicismo romano, obteve, a ponto de se falar até mesmo em o dia 11 de maio ser feriado nacional, algumas indagações vieram-me a mente: Que diferença faz um santo morto para o Brasil? Poderá ele ser sal é luz? Que diferença fará na e para a sociedade brasileira? Questiono-me também se: entre os evangélicos, os santos vivos têm feito a diferença?

Não partilho de tudo que Karl Marx escreveu sobre religião, porque se partilhasse não seria cristão e sim ateu, contudo, atrevo-me a usar uma expressão dele, a fim de fazer mais uma pergunta referente ao novo santo brasileiro: Frei Galvão não seria mais uma dose de ópio para o povo, somando-se a tantas promessas mirabolantes e alienantes, presentes no catolicismo popular, movimento pentecostal e neopentecostal?

Talvez você que lê até aqui, a essa altura diga: Lá vem mais uma pitada do ranço protestante contra os católicos romanos!!! Porém, peço lhe que não me interprete mal, pois também creio que o Brasil, assim como o mundo precisa de santo/as. Nossa Pátria, Igrejas, famílias e sociedade em geral precisam sim de “servos, servas, sábios, sábias, santos, santas, solidários, solidárias“. Contudo as virtudes supracitadas precisam estar presentes em pessoas vivas e ativas em todos os setores da sociedade. Principalmente naqueles que ultimamente a mídia tem mostrado possuidores de uma banda apodrecida e corrupta.

Tais santos/as vivos/as, com mentes e vidas verdadeiramente transformadas por Deus, o Único, Legitimo fazedor e “Pai de santos”, precisam ocupar espaço no Legislativo, Executivo e Judiciário, legislando, executando e fazendo cumprir as leis. Os santos/as precisam exercer suas cidadanias compromissadas com a ética do Evangelho e moral cristã explicita nas Escrituras. Vivendo vidas dignas do nome que professam e carregam, inseridos nas instancias de decisões desse país, agindo como profetas, denunciando aqueles que são corruptos tanto no meio secular como religioso. Abrindo a boca contra aqueles que politicamente roubam a nação, sem deixar escapar os que religiosamente alienam o povo.

Santidade não é privilégio de alguns iluminados, mas sim uma convocação Biblicamente feita a todos. Tal chamado é feito a Israel no Antigo Testamento: Portanto, santificai-vos e sede santos, pois Eu Sou o Senhor, vosso Deus. (Lv 20.7), Disse Josué ao povo: Santificai-vos, porque amanha o Senhor fará maravilhas no meio de vós. (Josué 3.5). Tal convocação também se estende a Igreja no Novo Testamento: Ao contrário, assim como é santo aquele que vos chamou, também vos tornai-vos santos em toda vossa conduta, porque está escrito: Sede santos, porque Eu Sou Santo… (I Pd 1. 15, 16). O apostolo Paulo ao se comunicar com as primeiras comunidades cristãs assim escrevia: a Igreja de Deus que está em Corinto, bem como a todos os santos que se acham em toda Acaia […] Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Jesus Cristo. (II Cor. 1.1; Ef 01. 1).

O homem não possui santidade em si mesmo, a santificação do/a crente é fruto da obra operada na cruz por Jesus Cristo, ou seja, ela nos é imputada por Ele. Contudo, ao aceitarmos a Cristo, por meio da graça santificadora, Deus através da ação do Espírito Santo nos possibilita crescermos nela: A Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados no Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos os que invocam em todo lugar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.(I Cor 1.2). Somos santificados na verdade da Palavra de Deus: Consagra-os pela verdade: A tua palavra é verdade (Jo 17.17). E a Palavra de Deus assim diz: Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem. (I Tm 2.5)

Muito se tem falado sobre o crescimento do povo evangélico. O Brasil está deixando de ser o maior país católico do mundo, e se tornando a cada dia o mais pentecostal. Fala-se em trinta, trinta e cinco ou quarenta milhões de evangélicos brasileiros. Diante dessas estatísticas fico imaginando o impacto causado em todas as esferas da sociedade, se toda a grei evangélica colocasse em prática este conselho de Pedro: Ao contrário, assim como é santo aquele que vos chamou, também vos tornai-vos santos em toda vossa conduta, porque está escrito: Sede santos, porque Eu Sou Santo… (I Pd 1. 15, 16). Enfatizei a parte que diz: “toda vossa conduta”, pois envolve nossa vida cristã em todas as áreas, e se seguida tal recomendação, ela fará com que nós cristãos evangélicos brilhemos como luzeiros, sendo fermento na massa, causando impactos espirituais e transformações sociais.

O Brasil não precisa de santos/as mortos/as, canonizados por outro homem. Igualmente também não precisa de santos/as evangélicos/as vivos/as, mas que expressam sua santidade somente nas reuniões de orações ou cultos dominicais, e no dia-a-dia são tão iguais, ou mais ímpios que muitos que não crêem em Deus. E por possuírem uma “mascara santa”, sempre são pedras de tropeços, sendo manchete na imprensa. Os sucessivos escândalos mostrados pela mídia, só reforçam as palavras de Jesus: Ai do mundo, por causa dos escândalos, porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo. (Mt 18.7).

Os santos católicos mortos representados por imagens, ou os evangélicos vivos que ostentam uma falsa santidade, possuem características em comum: Ambos têm bocas, mas não denunciam a injustiça que se alastra. Têm olhos, mas não vêem a miséria e corrupção que corroem nosso país. Possuem ouvidos, mas não ouvem o clamor, vindo dos homens, sejam eles pobres ou ricos. Tais classes de pessoas, embora diferentes nas condições sociais, são iguais na situação espiritual, ambos necessitam do Evangelho da graça que a ninguém exclui a todos abraça.

Tais santos/as de paus ou corações ocos possuem narizes, mas não cheiram, um porque é de gesso, o outro porque vive alienado das coisas presentes. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; e sons nenhum lhes saem da garganta; um porque é gesso, e gesso não apalpa, anda, ou fala, o outro porque se acomodou na sua pseudo-santidade, vivendo uma religiosidade mórbida e verticalista, a qual não pode gerar vida em comunidade e tampouco transformação social.

Aos que fabricam para si ídolos, sejam eles figuras de pessoas canonizadas por autoridades humanas e, entronizados nos altares dos templos, ou falsos valores, conceitos deturpados ou estruturas de poderes: político, religioso ou ideológico erigidos nos corações humanos, o Salmista diz: Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam. E aos “santos/as” vivos: católicos, protestantes, evangélicos, pentecostais e neopentecostais que glorificam somente com os lábios, mas o coração está longe de Deus, Jesus adverte: Não basta me dizer: ‘Senhor, Senhor! para entrar no Reino dos céus; é preciso fazer a vontade do meu Pai que está nos céus. (Mt 7.21). Em relação à vontade do Pai, Paulo nos declara: Pois esta e a vontade de Deus: a vossa santificação… (I Ts 4.3ª)

Concluo com um alerta que serve para todos nós cristãos, declarado de forma enfática pela Bíblia, o verdadeiro manual de fabricar genuínos santos: Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor. (Hb 12.14)

Pr. José do Carmo da Silva. (Zé do Egito)

Igreja Metodista em Fátima do Sul-MS.

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