O Monopólio da graça:“Ratzinger e uma quase volta ao passado.”

Publicado: 21/05/2008 em Uncategorized
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O ecumenismo tem sido um divisor de águas em meio aos cristãos. Muitos o defendem por sinceridade, outros por conveniências e lucro próprio. Há também cristãos que vêem nele um estratagema da Igreja Católica Romana, para novamente dominar a cristandade, e por essa visão e pensamento se declaram antiecumenicos. O documento intitulado “Dominus Iesus” (Senhor Jesus), escrito pelo cardeal Joseph Ratzinger, delegado da congregação para a doutrina e fé, (antigo Santo Oficio) em 2000, ressuscitou uma posição do Concílio de Trento, afirmando ser a Igreja Católica a única portadora da salvação. Tal documento, em parte comprovou o pensamento dos supracitados opositores ao movimento ecumênico em relação à Igreja Católica Romana. O documento Dominus Iesus que qualifica a Igreja Católica como única igreja verdadeira, foi refutado por alguns teólogos libertacionistas. Os teólogos contrários ao documento qualificaram- o como semelhante ao Syllabus de Pio IX, e de estar em oposição às decisões do Concílio Vaticano II. Na visão de tais teólogos o teor do documento é de característica ofensiva aos demais cristãos. Entre os contrários ao Dominus Iesus estão teólogos importantes como Hans Küng, Jon Sobrinho e Leonardo Boff.

Hoje, anos depois da declaração Dominus Iesus, o mundo acompanha pela imprensa, o segundo golpe desferido por Dominus Iesus contra as demais igrejas cristãs. Esse segundo golpe, Ratzinger o desfere agora com mais força, pois o faz como papa. Em tal documento intitulado: Respostas a perguntas relativas a alguns aspectos a cerca da Doutrina da Igreja“, o papa declara ser a Igreja Católica Romana a única igreja verdadeira, e a única que contém a verdadeira doutrina de Jesus Cristo. Com essa declaração ele despreza as demais igrejas, dizendo serem elas deficientes ou até mesmo inoperantes em matéria de salvação. Tal atitude do pontífice católico, mais uma vez se apresenta como um retorno ao Concílio de Trento que teve início em 13 de dezembro de 1545, terminando em 1562 durando assim 18 anos. Tal posicionamento também nega as decisões do Concílio Vaticano II, (1963-1965) e do Papa João XXIII. O Vaticano II reconheceu que as demais Igrejas Cristãs participam da Igreja de Cristo. A partir dele, os protestantes passaram a ser vistos pelos católicos como “irmãos separados” e o ecumenismo ganhou mais força.

O atual documento escrito por Ratzinger, somado ao Dominus Iesus, negam o que diz Paulo nas Escrituras a respeito da salvação, “Com efeito, é pela graça que sois salvos por meio da fé; e isso não depende de vós, é dom de Deus. Isto não vem das obras, para que ninguém se orgulhe”. (Ef 2.8). Perdão de pecados, justificação, reconciliação e salvação humana, são questões de máxima grandeza, razão pela qual somente Deus por meio de seu Filho Jesus Cristo puderam e podem realizar em favor do gênero humano. Deus jamais deixaria algo assim de suma importância nas mãos de homens, mesmo que seja o papa, ou instituições humanas, por mais antigas e respeitáveis que elas possam ser. Todas as vezes que homens ou instituições usurpam esse direito divino, o que ocorre é um mercadejar da graça, por meio de tentativas de negociar o inegociável. Pois a graça, e o fruto dela a salvação é obra de Deus. Dom que Ele concede aos homens por meio da fé em Cristo Jesus. “visto que a justiça de Deus se revela no Evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo vivera por fé” (Rm 1.17).

Assim como bradou Lutero, salvação é pela graça, sendo possível por meio de Cristo, solo Cristo, como declarou o Reformador, reafirmando as Escrituras que diz: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12) Nenhuma igreja por mais antiga que venha a ser, possui o monopólio da Graça, tampouco da salvação. Sermos salvos não depende de fazermos parte da Igreja Católica Romana, Protestante, reformada, Evangélica, Neo ou Pentecostal. Pois se assim fosse não seria graça e sim mérito!

A Igreja foi instituída por Cristo, ela é a comunidade dos que Nele crêem, contudo não é portadora da salvação, cabe a ela com base nas Escrituras proclamar o Evangelho, poder de Deus que liberta o que crê. A salvação não está na Igreja, mais sim em Cristo, e é Cristo muito maior do que qualquer denominação, pois denominação nenhuma pode conte-lo, verdadeiramente nem o universo o pode! Tão logo penso que há salvação fora de qualquer denominação, porém, não fora de Cristo e de sua obra efetuada no calvário.

Certa vez, Leonardo Boff, expoente da Teologia da libertação, ironizando o Dominus Iesus declarou: “Para a Igreja Vaticana (Igreja Romana em oposição a Igreja povo) Cristo é o único caminho para a salvação, e a Igreja Católica Romana é o pedágio”. Seguindo essa ironia de Boff, e os retrocesso que Ratzinger tem feito, não demorará muito para novos Johns Tetzels, Torquemadas e outras aberrações do passado voltar a agir em nome de um cristianismo adulterado e uma graça barata reduzida aos ditames de um sistema religioso com estrutura monárquica. Se continuar o retrocesso de Ratzinger, hodiernamente existirão muito mais fogueiras ou esquartejamentos públicos, pois afinal de contas só no Brasil os hereges, (entenda-se evangélicos e protestantes que não se curvam diante do cajado e não beijam o anel de “Pedro”) são 16% da população.

Dei a este artigo o titulo de “O Monopólio da graça”, pois a Igreja Romana continua almejando monopolizar a graça, para mais uma vez negociar com as almas dos homens, assim como fez na Idade Média. O subtítulo de “Ratzinger e uma quase volta ao passado”, é uma referencia aos esforços empreendidos pelo papa, tal como retomar a missa em Latim, e outros conceitos da Igreja Medieval nos quais ele esta atrelado. A meu ver fazendo isso Ratzinger realiza uma meia volta ao passado. Porém, a volta completa só se dará quando a Igreja Católica Apostólica Romana, humildemente voltar a beber da fonte pura de todas verdadeiras fontes da qual há muito se distanciou: as Escrituras. Se isso for plano de Deus, e as fogueiras da inquisição não começarem a arder quem viver verá. Até lá me sentindo cristão e em plena comunhão com a verdadeira Igreja de Cristo reafirmo: Sola Escriptura! Sola Grátia! Sola fide! E acima de tudo e até mesmo fora de qualquer Igreja: Solo Cristo, e soli Dei glória!

Pr. José do Carmo da Silva (Zé do Egito)

comentários
  1. Tania Regina disse:

    Acompanho o pensamento do Pr. Zé do Egito, lastimando este retrocesso da Igreja Católica Romana. Aos que seguem completamente aos ditames do pontífice, torna-se muito mais difícil dialogar sobre as Sagradas Escrituras. “E conhecereis a verdade e ela vos libertará”, pois tornam-se intransigentes, e refutam nossas argumentações bíblicas. Fechando assim, um canal de evangelismo, de diálogo, respeito e de missão. Missão essa, ordenança do próprio Senhor Jesus, “Ide e pregai…”
    Não estou com este meu comentário, afirmando ou defendendo o ecumenismo, mesmo porque, tenho minha opinião formada quanto a isso, e sou sim, plenamente favorável ao verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo, e ficar perdendo tempo com certas discussões que não nos levam a lugar nenhum, me desgasta e é improdutivo.
    De igual forma ao Pr. Zé do Egito, afirmo: Soli Deo Glória!!!

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