Para não dizer que não falei das flores, quais flores? As mães, ora!

Publicado: 15/05/2008 em Artigos, Cronicas Cristãs
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O amor é sentimento que nos consome. O amor é virtude que quando toma forma, só pode ter um único, pequeno, mas sublime nome: Mãe. Falar de amor é falar de mães, falar de mães é falar de amor, falar de mães é falar de alegrias, sofrimentos, felicidade, mas também de dores, falar de mães é falar da vida, falar de mães é falar de flores… Estamos nos aproximando de mais um segundo domingo de Maio, portanto, dia das mães. Pelo avizinhar de tal data, pus me a refletir sobre a importância dessas mulheres na vida de todas as organizações humanas. Aliás, sem elas não haveria organizações humanas, pois nem sequer humanidade haveria. São mulheres que lutam, que choram, que sorriem, que amam, que oram e clamam. São Marias, Isabéis, Josefinas, Fátimas, Jéssicas, Elianes, Janaínas, são Terezas, são Auroras… são tantas mães por este Brasil afora. São elas: negras, brancas, amarelas, solteiras, casadas, viúvas, divorciadas, domésticas, advogadas, professoras, políticas, empresárias, senhoras do lar, pastoras, missionárias, episcopisas, revolucionárias.

Estão na terra, estão no ar, estão em quase todas partes e lugares, pois, em algumas denominações ainda lutam pelo direito de pregarem e ministrarem nos altares. Independente, da profissão, formação ou classe social, as mães possuem um atributo, um carisma sem igual: ser co-autoras da vida. Possuem o poder de, com seu beijo, fazer passar a dor sentida. Suas lágrimas são bálsamos que curam e cicatrizam feridas. Lembro me de uma canção popular que diz assim: Mãe, tu és para a poesia uma meta, a musa inspiradora do poeta. E eu usei todas as palavras que disponho, mas na maior frase que a ti componho, existe algo ainda por dizer. Mãe, tu tens para mim todas as virtudes, pois entregaste a sua juventude, pelo simples prazer de ter nome de mãe. Esta canção traz muitas verdades explícitas, verdades inegáveis no que se refere a mães. Contudo, por mais que se fale, por mais que se rime, se escreva, pinte ou cante, por mais que se tente, sobre mães, existem algo mais ainda por dizer. Até Deus o Criador do universo e Senhor de todas as coisas, para deixar bem claro o amor Dele por Israel, se comparou com uma mãe: “Porventura a mulher esquece a sua criança de peito, esquece de mostrar sua ternura ao filho da sua carne? Ainda que elas os esquecessem, eu não te esquecerei!”. (Is 49.15) Tais palavras tanto do poeta secular, como do Poeta Sagrado, que pelo amor de mãe foram inspirados, dignificam e exaltam sobremaneira essa figura, esse ser que carrega em si e transmite amor, carinho, segurança e ternura. O que faz de uma mãe, ser mãe, não é a capacidade de gerar, mas sim o dom e instinto de amarem. Tais dons estão presentes em quase todas as fêmeas da criação. Certa vez, assistindo um programa de TV, o repórter mostrou um fato emocionante. Um fato que relata que amor de mãe é amor que tal qual o amor de Deus excede toda compreensão humana. Pois da mesma forma que Deus se encarnou, dando a vida por nós, muitas mães são capazes de arriscarem e até mesmo perderem a própria vida para salvarem os frutos de seus ventres: Um celeiro de trigo de dois andares estava em chamas, o fogo havia começado na parte superior, chamaram os bombeiros, e com eles vieram também a imprensa para fazer uma matéria sobre o dia – a – dia dos “heróis do fogo”. No alto do celeiro havia uma janela central tomada pelas chamas. Quando os bombeiros se aproximaram do celeiro, no chão, no rumo da janela estavam três gatinhos. Dois estavam incólumes, o terceiro possuía algumas queimaduras pelo corpo. De repente, uma bola de fogo caiu contorcendo-se aos pés do bombeiro. Ele, sob o foco da câmera, mas que depressa, com o extintor apagou o fogo. Bombeiro e repórter ficaram emocionados ao verem que a bola de fogo era a gata mãe, que para salvar seus filhos entrou quatro vezes no fogo. Porém, da quarta vez, mãe e filho morrera, ela morreu com o filhote na boca. O repórter perguntou ao bombeiro: – O que leva um animal a colocar a vida em risco, entrando quatro vezes no fogo para salvar seus filhos? O bombeiro, emocionado, aplicando os primeiros socorros nos filhotes vivos, disse: – Isto é amor, meu amigo, amor de mãe! Por que se isto não for amor, nada no mundo o é! Posso ainda citar casos noticiados pela mídia, demonstrando o quanto o amor de mãe é incondicional e inconseqüente, levando mães a porem em risco a própria vida: Um garoto de sete anos foi salvo pela mãe de morrer afogado em um poço em Franca, no interior de São Paulo. Gabriel Marcos Campos caiu no reservatório de água de aproximadamente quatro metros de profundidade enquanto sua mãe, Maria Jerônima Campos, 36 anos, pegava água de uma mina próxima ao local. Após momentos de pânico, Maria Jerônima, que não sabia nadar, pulou no poço e retirou o garoto com a ajuda de moradores. Gabriel e a mãe passam bem. O amor é um sentimento singular que pulsa mais forte, se expressando no choro, no riso, na lágrima, na vida e mesmo na morte das mães. O amor é força motriz que faz com que simples e aparentemente frágeis mulheres enfrentem até mesmo o banditismo, a corrupção, frieza, inércia e omissão da justiça, como no caso das mães de Acari, que entraram em cena a partir do dia seguinte à noite de vinte e seis de junho de 1990, quando onze jovens pobres, em sua maioria negros moradores da favela de Acari na zona norte do Rio de Janeiro, foram seqüestrados de um sitio onde faziam uma festa. O amor de mãe serviu como combustível movendo as mães desses jovens, o amor fez com que elas sufocassem o medo, não se deixando intimidar pelas ameaças de morte, quando buscavam o paradeiro, ou ao menos o direito de porem em um caixão, aqueles que um dia, embalaram nos braços e colocavam em um humilde berço. Foi o amor que as impediram de desistir, motivando as de suas dores tirarem forças, dando origem às “Mães de Acari”. No ano de dois mil e três, Ednéia da Silva Euzébio, mãe de um dos jovens desaparecidos, foi assassinada em plena rua; morreu buscando justiça, morreu por amar. E o culpado ou culpados, tanto do seqüestro e provável assassinatos dos jovens, bem como de Ednéia, até hoje não foram punidos. As mães de Acari, como as mães da praça da Sé, como tantas outras mães, são motivadas, por esse dom peculiar, o dom de amar. Talvez, você que lê este artigo se pergunte: Mas, e as mães que jogam os filhos nas latas de lixo, nas lagoas? As mães que abortam, as mães que espancam, as babás que muitas vezes também são mães, mas, espancam filhos alheios? Bem, a você, eu respondo que no universo de amor, onde as mães brilham como estrelas principais, formando uma imensa constelação, tais relatos e fatos mostrados pela mídia não são regras, mas sim tristes exceções, pois, nos corações das mães a lei áurea é: simplesmente amar. Dominadas por esse sentimento que as consome, mas que também as tornam semelhantes à fênix, fazendo-as renascerem das cinzas. Das cinzas do abandono, legado a muitas que depois de cumprirem sua tarefa, quando se tornam avós, duplamente mães, recebem dos filhos e netos já criados o esquecimento nos asilos de pobres, ou clínicas de ricos. Ou muitas vezes sobrevivem imersas nas cinzas da tristeza, ostracismo e solidão, vitimas do esquecimento mesmo dentro do lar, sociedade e Igreja. Agradeçamos a Deus por ter capacitado com o dom de amar aquelas que nos gerou no ventre ou no coração, nos levou nos braços, cujas mãos nas madrugadas balançaram nossos berços, cantando uma canção, fazendo nanar, perdendo seus sonhos, sua juventude, seu vigor e saúde e, como muitas, até mesmo a vida para cumprir o dom de simplesmente nos amar. A todas vocês um feliz dia das mães. Pr. José do Carmo da Silva (Zé do Egito) Igreja Metodista de Fátima do Sul – MS

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